Em 2001, Paraná encontra o eixo da cultura
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sábado, 29 de dezembro de 2001
Fernando Tupan<br>Equipe da Folha 
Curitiba As bandas paranaenses lembrarão de 2001 como um período de consolidação. Época em que grupos locais tiraram as mangas de fora e apostaram na grandiosidade, alguns se deram mal. Nem tudo foi ruim, tívemos também aqueles que acertaram na mosca, principalmente os que preferiram circular no meio independente e underground.
Em Curitiba, a Relespública entrou em uma grande roubada ao apostar todas as suas fichas na gravadora Universal, uma das maiores do Brasil. Pegou um produtor com tendências bregas e mudou seu som. Nem mesmo a mudança para o Rio de Janeiro reverteu o quadro negativo.
Os Catalépticos permaneceram e continuaram fortes nas suas propostas alternativas. O trabalho acabou sendo coroado quando a banda foi escolhida pelos críticos como a maior banda do gênero ''psychobilly'' do planeta. O disco Zombification foi lançado no Japão, na Alemanha e na Inglaterra.
Esses dois contrastes mostraram perfeitamente a evolução atual do mercado fonográfico brasileiro: de transição. Bandas que apostaram no grande e no mercado interno, estagnaram. As que procuraram o caminho externo e da divulgação boca a boca viram seus horizontes passarem por cima da coroa da rainha da Inglaterra e chegarem a terra do Sol Nascente.
Um veículo que tem contribuído bastante na divulgação da sonoridade das bandas locais é a internet. Através de sites como www.mp3.com o som de Curitiba participou de coletâneas nos Estados Unidos, Alemanha, Japão, França, Argentina, Chile, México e Inglaterra.
O crescimento da cena desalinhada do ''mainstream'' evoluiu nesta temporada na capital paranaense. Agora a música local não está apenas enterrada nos inferninhos. A abertura dos palcos das casas noturnas possibilitou o surgimento de uma nova casta de fãs.
Em 2001 as patricinhas e os mauricinhos descobriram o punk rock. Eles adotaram algumas bandas curitibanas como suas favoritas e fizeram filas nos shows dos grupos No Milk Today, Sarnentos, Pelebrói Não Sei e Boobarellas.
O resultado do apoio do público local não demorou. As bandas entraram nos estúdios e no ano houve um ''boom'' de lançamentos. A vontade de registrar o som acabou beneficiando as pequenas ''labels'', que cresceram assustadoramente.
A Barulhos Records se firmou no mercado com lançamentos de grupos punk e hardcore. Já a De Inverno Records apostou na cena alternativa para se consolidar. A Mais Records passou o ano devagar, quase parando. Mas com a coletânea CicloJam mostrou que continua de olhos abertos.
No meio da efervescência, alguns grupos estacionaram suas guitarras e até mesmo regrediram musicalmente. O caso mais notório foi o do Cartoon, que passou o ano na berlinda. Outra banda que ficou no mesmo nível foi o Mosha, uma das maiores promessas de 2000. A saída do baterista Mola Jones causou desconforto entre os integrantes e só foi superada em novembro.
Os dias passaram e ninguém notou a ausência do Woyzeck. O grupo dissolveu-se em diferentes vertentes. A que mais se destacou vestiu o nome de Excelsior e adotou uma sonoridade inglesa, próxima a de Belle & Sebastian, Travis e outras do gênero pop calminho.
O funk também vem pedindo passagem e ganhando seguidores. O Turbo Funk é a mais representativa das bandas. Sua afirmação aconteceu após participar da etapa curitibana do Free Jazz, em agosto.
Os jazzeiros também consolidaram o seu trabalho no primeiro ano do século. Nomes como Endrigo Bettega, Glauco Sotter, Paulo Branco e Mário Conde se tornaram sinônimos do estilo. Mas com um diferencial: também trabalham com a Música Popular Brasileira. O apoio da casa noturna Original Café foi fundamental para que a turma chegasse ao céu.
O fortalecimento das grandes casas de shows trouxe mais benefícios diretos a turma do rock curitibano. Os grandes shows que passaram pela capital tiveram bandas locais abrindo. Agora os curitibanos esperam que essa abertura chegue às rádios. As FMs de Curitiba ainda apostam na produção do eixo Rio-Sampa-Bahia.


