Aos dolorosos e saudosos, o disco da hora recebeu um nome bem apropriado: ‘‘Amor e Dor’’. Trata-se do novo trabalho de Elymar Santos, em formato acústico, que reúne algumas canções clássicas que passeiam pelos dois lados do amor, com ênfase maior ao desafeto. Entre as 14 faixas, pepitas como ‘‘Lama’’ (Aylce Chves-Paulo Marques), ‘‘Segredo’’ (Marino Pinto- Herivelton Martins), ‘‘Atiraste uma Pedra’’ (Herivelton Martins-David Nasser), ‘‘Castigo’’ (Dolores Duran) e – seria uma heresia não regravar em se tratando de amor e dor – ‘‘Ouça’’ e ‘‘Meu Mundo Caiu’’ (Maysa).
Sim, algumas canções podem estar saturadas. Mas Elymar Santos, através do auxílio luxuoso do produtor Roberto Menescal, conseguiu dar um certo sopro de vida nova graças à sua voz. Sim, ele é um bom intérprete cercado. Que no disco, lançado pela Som Livre, é acompanhado por um enxuto mas competente time de músicos – Jota Moraes (piano e vibrafone), Jorge Helder (baixo acústico), Márcio Bahia (bateria), Sérgio Galvão (flauta e sax), Reginaldo Vargas (percussão) e Menescal (violão e arranjo).
Apesar de ‘‘Amor e Dor’’ se inclinar mais aos proprietários de cotovelos ardentes, Elymar diz que necessariamente não viveu todas as aventuras – e desventuras – do repertório. ‘‘Ainda não amei tanto assim. Mas não cantaria canções que não tivesse vivido ou não tivesse coragem de viver’’, disse, por telefone, à Folha2. Para cada canção, conforme o raciocínio do cantor, um personagem – eis a função do intérprete. ‘‘Independente disso, é sobretudo um disco de boa música’’, completa. É verdade.
Claro, ele também já sofreu por amor. E a música, nesses momentos, sempre esteve presente. ‘‘Nada me dá mais prazer do que a música, porque através dela vou para os braços que quero. Quanto estou amando, canto muito. Agora, quando estou mal canto mais ainda’’, afirma. Para o próximo ano, chega às lojas o segundo volume de ‘‘Amor e Dor’’. Que promete fazer muita gente sair à procura do famoso ombro amigo. ‘‘A tal felicidade não prova tanto quanto o desamor’’, filosofa ele. Outros projetos artísticos de Elymar Santos estão um CD-tributo a Francisco Alves e Maria Bethânia – a diva maior nos momentos bons e ruins do amor. (A.M.J.)

mockup