Elvis Presley no museu
PUBLICAÇÃO
sábado, 29 de agosto de 1998
Ricardo Bairos Planet Pop/AE 
O rei do rock-n-roll foi parar no museu. Elvis Presley, o primeiro pop star da música, é o tema de uma exposição do Rock-and-Roll Hall of Fame, o museu dedicado ao gênero musical na cidade de Cleveland, estado de Ohio. A mostra reúne a maior coleção de memorabilia do astro fora da mansão Graceland, a casa dele em Memphis, no Tennessee. Há guitarras, roupas, pôsteres, fotografias e tudo mais que documenta a vida do rei: sua infância pobre em Tupelo, Mississippi, os álbuns gravados, documentos do coronel Tom Parker (seu agente por muito tempo), o serviço militar, os trabalhos no cinema e todo o ponto alto de sua carreira até a decadência e a morte, aos 42 anos, em 1977.
Os fanáticos pela carreira do cantor que já foram a Graceland já viram boa parte da exposição. Cerca de 70% dos objetos expostos são do acervo da mansão. O resto é de colecionadores particulares. Há de tudo: da jaqueta usada por ele no programa de TV Ed Sullivan Show, em 1956, ao violão Gibson J-200, de 1968, tocado pelo músico nos anos 70. Entre as peças que chamam mais aatenção, estão o triciclo da filha do rei, Lisa Marie Presley, e uma caixa de lápis de cera, colocado no baú em que a família Presley fez parte da mudança de Tupelo para Memphis, quando Elvis tinha 8 anos.
As peças mais raras da mostra são as que dão uma idéia de como era a vida de Elvis antes de virar o rei do rock. O cantor, por exemplo, era ótimo em inglês no primário, com notas A, mas fraco em ciências, como mostra o D que está em sua caderneta escolar. O programa de uma série de shows em sua escola tem a primeira vez em que o nome dele foi impresso para uma performance. E está escrito errado, Prestly. Hilário mesmo é o formulário que ele preencheu para tentar um emprego de motorista de caminhão numa empresa. O funcionário que o entrevistou escreveu no papel que Elvis era um tipo muito playboy. Por sinal, o cantor não conseguiu o trabalho.
Da década de 50, estão na exposição algumas de suas guitarras, como a Martin D-18, de 1942, de quando ele começou sua carreira. Foi com ela que o cantor começou a gravar para a Sun Records. Há também um monte de produtos licenciados da época em que ele atingiu a fama: lápis Elvis, batom Elvis, saias Elvis e até baralho Elvis. Dos anos de temperamento mais difícil, está um aparelho de TV com um buraco de bala. Se o astro não gostava de um programa de TV ou ficava com raiva de alguma coisa, dava um tiro na tela.
Do período em que o astro se apresentava em Las Vegas, Nevada, estão várias roupas, inclusive a que ele usou para se encontrar com o presidente Richard Nixon na Casa Branca. Também está no museu o certificado do Bureau of Narcotics and Dangerous Drugs que o político deu para Elvis, por sua participação em campanhas antidrogas. O que encerra a exposição é mesmo o fim do rei do rock-n-roll: seu atestado de óbito, que registra doença no coração como a causa da morte. A exposição foi aberta em 8 de agosto, durante a Semana Elvis, que celebrou os 21 anos da morte do cantor com eventos em Cleveland, Memphis e Las Vegas. No hotel Las Vegas Hilton, está em cartaz Elvis the Concert, em que o astro canta num telão e é acompanhado ao vivo por ex-integrantes de suas bandas.
O museu do Rock-and-Roll Hall of Fame é uma construção de 15 mil metros quadrados projetada pelo arquiteto I.M. Pei (o mesmo que desenhou a pirâmide do Louvre, em Paris). Fica na beira do Lago Erie, no North Coast Harbor, centro de Cleveland. É uma composição de formas geométricas ancoradas por uma torre de pouco mais de 50 metros de altura. A abertura do prédio foi em setembro de 1995, nove anos depois da escolha do local para a construção. O museu tem exposições temporárias, sua coleção permanente e espaço para shows. Entre os destaques do acervo, estão o uniforme St. Pepper de John Lennon, a roupa de mosca de Bono Vox para a turnê Zoo TV, os modelos de Madonna para a turnê Girlie Show e vários vestidos de Tina Turner, inclusive dois assinados pelo estilista Gianni Versace, morto no ano passado.ReproduçãoEntre as curiosidades da exposição que reúne objetos pessoais de Elvis Presley está uma TV furada à bala: ele atirava quando não gostava dos programasExposição em Cleveland reúne objetos do rei do rock, até seus boletins escolares estão na mostra


