Ella no Multishow
Ao soltar a voz em um programa de calouros onde estava um olheiro de Chick Webb - marco inicial de sua carreira - na década de 30, Ella Fitzgerald não imaginava a importância que teria na história da música americana. Praticamente todos os grandes compositores populares dos Estados Unidos, principalmente clássicos do jazz, passaram por sua garganta. Seu timbre manteve fidelidade até a década de 80, quando ainda impressionava em suas aparições.
Pelas cordas vocais de Fitzgerald passou também toda a história do jazz. Desde trabalhos com Louis Armstrong até gravações de Beatles e Cream, Ella conheceu a canção em todas as suas variações, abrindo os olhos também para compositores latinos, como Tom Jobim, a quem dedicou um songbook.
Sua marca está inscrita nesta história e é indissociável de seu talento. Embora emotiva em algumas interpretações, Ella possuía uma racionalidade que a atentava para deslizes, uma espécie de radar que alertava a aproximação de limites perigosos.
A longevidade de sua voz escondeu uma fórmula pouco adotada no meio. Ella Fitzgerald contornou a pressão que sofreu no mundo machista do jazz desde a década de 30 sem apelar para o álcool ou as drogas menos convencionais. Era conhecida por ter nervos de aço ao lidar com os conflitos de seu trabalho. A intérprete sofreu transformações, principalmente quando se aproximou da senilidade, mas não perdeu a extensão vocal nem a força interpretativa.
O sucesso ocorreu após a morte de Webb, com a gravação de A-Tisked, A-Tasked, e a consagração veio após uma série de songbooks enfocando compositores como Cole Porter, George Gershwin, Irving Berlin e Rodgers e Hart.
O final de sua vida tomou contornos trágicos. Sofrendo de diabetes, Ella teve gangrena e foi obrigada a amputar as duas pernas em 1993. A diabetes a levaria à morte, em 1996, após uma carreira de mais de 60 anos e a gravação de cerca de 250 discos.
Ao assistir ao Tributo a Ella Fitzgerald, que o Multishow exibe hoje às 23 horas, o telespectador estará acompanhando grandes momentos da canção americana, que tanto influenciou a música brasileira. No documentário estão depoimentos de fãs do calibre de Frank Sinatra e Louis Armstrong, além de clássicos como The Sunny Side of Street, Lady be Good e Boy from Ipanema.ReproduçãoElla Fitzgerald: até o fim, cantora preservou a extensão vocal e a força interpretativaRanulfo Pedreiro





