ReproduçãoHá 80 anos, no dia 24 de abril de 1918, nascia uma das maiores cantoras do mundo, Ella Fitzgerald. Considerada a primeira-dama da canção, formou uma geração inesquecível junto com Sarah Vaughan e Bilie Holiday. Eclética, sempre dominou a música de qualquer estilo e, segundo o crítico e maestro Mauro Dias, ‘‘conjugava emoção e raciocínio em seu canto’’.
Sua carreira começou a decolar quando ela ganhou um concurso no Harlem Opera House, no começo dos anos 30, atraindo a atenção do baterista Chick Webb, que não gostava de cantoras, mas foi convencido por seus músicos a fazer um teste com a candidata a estrela. Ella Fitzgerald foi contratada em 1935 e, três anos depois, com a morte de Webb, virou bandleader. Dizem seus biógrafos que o exercício de comandar uma orquestra para ela, que tinha diploma de música, a tornou racional. ‘‘Quase tudo que ela gravou é muito bom’’, garante o crítico Nelson Motta. ‘‘Mas especialmente os songbooks, o de Cole Porter, o de Jobim e o de Gershwin, são obras-primas da música popular’’.
Motta destaca ainda os dois discos que fez com Louis Armstrong, ‘‘clássicos emocionantes’’, e afirma: ‘‘É preciso ser surdo para não amá-la e reconhecê-la como uma das maiores, senão a maior cantora popular de todos os tempos. De sobrenome aristocrático, estreou gravando uma música infantil, ‘A-Tisket, A-Tasked’.’’
Para o escritor e jazzófilo Alain Lacombe, autor do livro ‘‘Ella Fitzgerald’’ (Coleção Mood Indigo, Éditions du Limon, Paris, 1989), a cantora é um caso único na história do jazz: jamais se envolveu em escândalos por causa de drogas ou sexo, não há o menor indício de uma personalidade autodestrutiva e, principalmente, não se trata de um nome cultuado apenas por um pequeno círculo de admiradores.
‘‘Seu único pecado foi gostar muito de bolos e tortas’’, diz o autor. Diabética, perdeu a visão e as pernas. Morreu em 1996, depois de muito sofrimento. Como consolo, é possível ouvir as dezenas de discos que gravou desde o final dos anos 30. Cantou desde Gershwin e Johnny Mercer até Cole Porter e Duke Ellington. Os sucessos foram muitos: ‘‘The Man I Love’’, ‘‘Body and Soul’’, ‘‘Honeysuckle Rose’’, ‘‘Love For Sale’’, ‘‘Cheek To Cheek’’, ‘‘Stormy Weather’’, ‘‘Skylark’’...
De 71 em diante, quando sua saúde piorou, passou a se apresentar em raríssimas ocasiões. Homenageada por André Previn num concerto realizado em Londres, em 1985, fez uma de suas últimas aparições nessa turnê européia.
• The Complete Ella Fitzgerald Song Books - Caixa com 16 CDs importados, com 240 músicas de Cole Porter, Richard Rogers, Duke Ellington, Irving Berlin, George e Ira Gershwin, Harold Arlen, Jerome Kern e Johnny Mercer.

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