De Curitiba
Há 21 anos, mais exatamente no dia 31 de agosto de 1978, Elis Regina gravou uma entrevista no programa ‘‘Vox Populi’’, da TV Cultura de São Paulo. Tudo o que ela disse nessa ocasião, continua carregado de uma estonteante realidade. Hoje (quinta-feira), às 22h30, na TV Educativa Canal 9, irá ao ar um mix contendo essa entrevista e números musicais emprestados do ‘‘MPB Especial’’, da mesma emissora, gravado em 1973.
A união de imagens gerou um novo programa que vai ao ar na série ‘‘30 Anos Incríveis’’, comemorando o aniversário da emissora paulista. Convidado especial da noite é o jornalista Alberto Helena Jr., que dirigiu Elis em diversas apresentações.
‘‘Hoje a maré está mais para diversos do que para Chico Buarque de Holanda’’, dispara numa de suas respostas, escancarando a troca de qualidade pela efemeridade do mercado. Sobre a pouca participação em programas de televisão, afirma que as ofertas não são interessantes.
Ou seja: Elis quer se posicionar em frente às câmeras e cantar, mas os produtores exigem que dance, conte piadas, cubra-se de plumas. Lembra-se da vez em que foi convidada para se apresentar num programa. Estava indo tudo bem, até que acharam que o que ela cantou era muito pouco. Pois bem, ela virou as costas e saiu.
‘‘Não vale a pena sacrificar um dia, para fazer dois minutos e não ter coragem de assistir em casa, porque sabe que está uma droga... Já fiz muita porcaria, não tenho mais idade para isto’’, desabafa.
Quanto à música brasileira, esclarece sobre a necessidade de defendê-la:
— Quando a gente fala em proteção da música nacional, não quer dizer que é contra a música estrangeira. A gente briga contra a música estrangeira de péssima categoria que está sendo executada no Brasil.’’
Taxada de ‘‘cantora de elite’’ pela postura e gosto musical, Elis argumenta que eventualmente faz apresentações na periferia, mas esse não é um trabalho para ser divulgado. E observa que ‘‘Falso Brilhante’’, o espetáculo de maior sucesso de sua carreira, foi planejado para ser apresentado sob lona de circo, aberto ao mais variado público. Faltou apoio das autoridades para que pudesse realizar esse desejo.
O início da vida artística é lembrado pela cantora. Além de contar com pessoas dispostas em ouvi-la, o momento era favorável. Ainda não se tinha o medo de novas propostas, e o que ela fez foi tomar o caminho aberto pela Bossa Nova. ‘‘Havia também uma vontade minha de fazer as coisas, custasse o que custasse’’, reconhece.
Entremeando conversas e músicas, o programa mostra Elis cantando ‘‘Ladeira da Preguiça’’ (Gilberto Gil), ‘‘Atrás da Porta (Francis Hime e Chico Buarque), ‘‘Vou Deitar e Rolar’’ (Baden Powell e Paulo César Pinheiro), ‘‘Falei e Disse’’ (Baden Powell e Paulo César Pinheiro e ‘‘20 Anos BBlues’’ (Sueli Costa e Vitor Martins).
‘‘30 Anos Incríveis’’, programa especial com Elis Regina, onde ela canta, comenta sobre a realidade da música brasileira e fatos de sua carreira. TV Educativa — Canal 9, dia 19, às 22h30.

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