Um dado na carreira de Elis Regina (1945-1982) cruza com a trajetória da cantora londrinense Sabrina Vargas. Esta, que vai homenagear aquela no bar Valentino hoje à noite, já fez shows dividindo o palco com o baterista Paulo Braga, um ex-músico de apoio da diva da MPB.
O encontro ocorreu em Nova York, onde Sabrina passou uma temporada entre 1999 e 2001. ''Queria trabalhar com música brasileira em outro país. Queria ver como era'' diz. De lá, guarda boas recordações. ''Foi uma grande experiência. Só voltei por causa da saudade da família e dos amigos'' conta.
Para o show de hoje, ela preparou o repertório sob direção do baixista Filipe Barthem. Entre as músicas escolhidas estão ''O Cavaleiro e os Moinhos'' e ''Agnus Dei'' de João Bosco, ''Oriente'' e ''Louvação'' de Gilberto Gil; e ''Me Deixe em Paz'' de Ivan Lins. O show fecha o ciclo de celebrações em torno de Elis Regina, que nesta temporada juntou também Elda Assoni e Gisele de Almeida para o tributo.
No palco, ela terá a companhia dos músicos Alex Correia (teclados), Fábio Farinha (bateria), André Vercelino (percussão), Mizão (guitarra), Rafinha (violão), além do já citado Filipe Barthem. Este será o segundo show da intérprete dedicado ao repertório da ''pimentinha''. ''O primeiro foi há uns quatro ou cinco anos, também no Valentino'' lembra.
''Elis é uma das melhores cantoras do mundo'' continua. ''Ela é completa, seja em harmonia, melodia e na visão das coisas. Tinha um empenho muito grande ao lado dos músicos, por isso gravou vários discos ao vivo. Ela era tudo de bom, de uma riqueza infinita''. Sabrina conta que Paulo Braga, que também tocou com Tom Jobim, confirmou em Nova York a fama de temperamental atribuída a Elis: ''Ele dizia que Elis sempre tinha uns pitizinhos nos ensaios, que era mesmo uma pimentinha''.
Além de histórias de bastidores da MPB, a londrinense ouviu muita música verde-amarela em sua passagem pelos Estados Unidos. A Big Apple, segundo a cantora, oferece opções para todos os gostos. ''Há casas noturnas de pagode, de axé music, de todos os ritmos populares. E há noites brasileiras de jazz. Quando cheguei lá, comecei cantando o popular para depois chegar aos palcos mais sofisticados'' explica.
A londrinense se apresentava todas as sextas e sábados. Ela revela que, diferente daqui, as intérpretes não ensaiam com a banda antes dos shows: ''Você chega e encontra a partitura no seu tom de voz. Você não sabe com quem você vai tocar, não sabe quem são os músicos que vão te acompanhar''. Depois do retorno, e já readaptada ao ritmo de Londrina, Sabrina planeja agora mudar-se para São Paulo com o objetivo de fazer carreira.
Antes, vai gravar um CD independente para divulgar seu trabalho e em suas palavras ''usufruir dos bons contatos feitos em Nova York''. A entrada no estúdio está prevista para março. O disco terá seis faixas, todas compostas em parceria com o músico Fernando Stelzer Badaró. ''Serão músicas simples, baladas, algumas até pop'' adianta. Ela acrescenta que o trabalho está sendo feito sem pressa, sem prazo antecipado de entrega.
Serviço:
Show de Sabrina Vargas em homenagem a Elis Regina. Hoje, no bar Valentino (Av. Bandeirantes, 61), em Londrina. Horário: 21h30. Couvert: R$ 5,00.

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