Antônio Mariano Júnior
De Londrina
Aí é que está: quando se foge da obviedade que cerca os shows-tributos o resultado só pode ser dos melhores. E é por isso que o espetáculo ‘‘Veloz como a própria voz’’, que assinala os 18 anos de morte de Elis Regina, será reapresentado hoje, a partir das 22 horas, no Bar Valentino, em Londrina. Sobem ao palco novamente Neuza Pinheiro (voz e violão), Lia Cordoni (voz), Márcia Santos (voz e baixo), Daniel Belquer (voz e teclado), Marcos Santos(teclado e guitarra) e Fábio Farinha (bateria e percussão).
A possível exuberância do espetáculo está em seu formato. A começar pelo repertório composto por pouquíssimas – de se contar nos dedos – canções manjadas. Por exemplo, a saturada ‘‘O Bêbado e o Equilibrista’’ felizmente não entrou. Das mais conhecidas, foi pinçada ‘‘Velha Roupa Colorida’’ (Belchior). No mais, músicas tão belas quanto pouco cantadas como ‘‘Marta Sar钒 (Edu Lobo), ‘‘Agnus Sei’’ , ‘‘O Cavaleiro e os Moinhos’’ (ambas de João Bosco e Aldir Blanc’’, ‘‘Oriente’’ (Gilberto Gil), só para citar algumas das 18 selecionadas pela trupe.
‘‘Veloz como a própria voz’’, desta vez, vem com cenário saído da imaginação de Silvio Ribeiro. ‘‘É um show concebido sob uma perspectiva teatral com colorido especial para que o público perceba que não estamos chorando a morte da Elis’’ – define a cantora Neuza Pinheiro, idealizadora do evento musical. ‘‘Uma artista de qualidade como ela deve estar presente na memória das pessoas com muita alegria’’ – complementa.
Com uma hora e meia de duração, ‘‘Veloz...’’ é alinhavado com poemas de Paulo Leminski que Neuza retirou do livro ‘‘La Via en Close’’. O que tem a ver a cantora gaúcha com o poeta paranaense? Tudo, segundo Neuza Pinheiro. ‘‘Leminski adorava Elis’’– justifica. Então tá!!
O todo deve ser apreciado. Porém, impossível não se ater às canções selecionadas para o show. ‘‘Queremos mostrar principalmente que como intérprete Elis tinha capacidade de passar por diferentes estilos e a eles imprimir sua personalidade artística’’– frisa Neuza Pinheiro. Isso é verdade. Quase uma máxima.
Elis era a mais completa cantora do Brasil. Não só porque sabia como ninguém aliar técnica com emoção e colocá-las à disposição de sua poderosa extensão vocal. Elis foi a maior dos nossos tempos porque era alheia a rótulos, patrulhamentos e tendências musicais. Talvez por isso não conseguiu – ou não quis, e isso é mais provável – ser uma espécie de cantora oficial de determinado autor.
Se Bethânia é a voz de Chico e Gal as de Caetano e Gil ou (ao que parece) Marisa Monte a de Carlinhos Brown, Elis era intérprete de todos e de nenhum. Gravou, é certo, muitas músicas de João Bosco e Aldir Blanc além de Milton Nascimento e Fernando Brant mas não o suficiente para associar seu nome a uma dessas duas duplas. Sua tarefa parecia ser unicamente a de dar versões irretocáveis – ‘‘Valsa Rancho’’, de Chico Buarque e Francis Hime, é uma delas – a canções de compositores consagrados, novatos ou desconhecidos (sua especialidade, diga-se). Não adianta: Elis Regina sempre vai dar o que falar e cantar.
• ‘‘Veloz como a própria voz’’, show-tributo a Elis Regina. Com Neuza Pinheiro (voz e violão), Lia Cordoni (voz), Márcia Santos (voz e baixo), Daniel Belquer (voz e teclado), Marcos Santos (teclado e guitarra) e Fábio Farinha (bateria e percussão). Hoje, às 22 horas, no Bar Valentino (Avenida Bandeirantes, 61). Ingressos a R$ 5,00.

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