Eliane Camargo, a Rainha do Bailão
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quarta-feira, 10 de setembro de 2008
Francismar Lemes<br> Reportagem Local 
A Rainha do Bailão, Eliane Camargo, é praticamente a versão do Faustão de saia, bota e chapéu em festas como a do Pé de Soja Solteiro, em Laguna do Carapã (MS). A cantora, radialista e apresentadora londrinense se compara ao artista global ao comentar sobre o status de celebridade que diz ter alcançado nas arenas do interior do Brasil.
''Viajo muito pelo País. Essa semana foram mil e quinhentos quilômetros para fazer um show numa cidadezinha. Nunca penso no glamour, mas nas pessoas que trabalham comigo, que são mais de 60 profissionais'', conta Eliane, que mantém duas bandas para atender a agenda.
Toda essa energia ajudou Eliane a superar um problema grave de saúde, que a deixou 40 dias em coma. ''Em 2007 eu tive um acidente vascular cerebral (AVC) durante o maior show da minha vida, reunindo um público de 10 mil pessoas, na cidade de Ipanema. Quando tive alta, fui cantar. Estava careca e cega dos dois olhos'', lembra a cantora.
Totalmente recuperada, ela voltou ao ar com programas no Canal do Boi e em 132 emissoras de rádio e ainda se prepara para casar em alto mar com o empresário que a acompanha a 21 anos.
''Há décadas estou falando que vou casar. Aos 40 anos, me deu um desespero de estar encalhada. Depois do AVC, disse ao Renato que ele não estava na minha vida só para me fazer ter sucesso. Daqui a pouco morro e não dou o sim para o padre. Mulher moderna, quando decide, pede ao homem para casar''.
Ela diz que hoje não trocaria Londrina por São Paulo mas acredita no sucesso fora das capitais, lembrando que duplas sertanejas de Minas Gerais conquistaram notoriedade no próprio Triângulo Mineiro.
''Vim para São Paulo para ser apresentadora de TV. Acho que a atual geração não conseguirá fazer a metade dos shows que eu consegui fazer. No auge da política, em Londrina, fazia uma média de 25 shows em um mês, mas a capital paulista para mim é um passaporte para tudo o que quero hoje. Trabalho para uma rede de TV portuguesa, que joga o sinal do meu programa para 40 países e vendo o meu CD em euros'', comenta a cantora.
Para ela, o grande fenômeno dos últimos tempos é a presença dos investidores, que transformaram a música sertaneja num grande negócio e fizeram o número de duplas proliferar. ''A música e o futebol são dois segmentos lucrativos, quando dão certo. Já recusei proposta de investidor porque perderia a minha autonomia. Os investidores te dão um suposto sucesso. Se o cantor ou dupla não conseguem estabilidade ficam pobres, não tendo dinheiro para comprar uma casa para morar. A última dupla que vi aparecer sem investidor foi Rio Negro & Solimões'', assegura Eliane.
Ao contrário da maioria dos colegas de profissão, a Rainha do Bailão não é contra a pirataria. Ela conta que quando vem a Londrina, sempre visita os camelódromos para conferir a venda dos próprios CDs. E não se incomoda com o prejuízo. Nas lojas, o seu DVD custa R$ 40. Nos shows, são vendidos a R$ 10, e nem assim fazem concorrência com os camelôs, que vendem três por esse preço.
Até o final do ano Eliane pretende lançar um novo CD cheio de participações especiais, que prefere guardar em segredo. A produção é de Carlos Randall, que já produziu a dupla Edson & Hudson. ''É o penalti que eu preciso marcar'', promete. Alguém duvida?


