A música eletrônica brasileira permanece, ainda, desconhecida fora da própria órbita. Se alguns DJs ganharam projeção inesperada nos últimos anos, nenhum disco nacional obteve a mesma repercussão.
O duo paulistano Lunatics talvez (ou provavelmente) não inaugure uma nova era com seu álbum de estréia, ''Virado pra Lua'', mas desponta como uma das mais estimulantes apostas do gênero. Lunatics é formado pelos produtores Manoel Vanni e Franco Jr.
Foi criado há dois anos como um projeto paralelo ao grupo M4J, no qual a dupla atua ao lado de Marcelo Sk e Mau Mau (que vem a Londrina na próxima segunda-feira). Já lançou três vinis na Europa ''Trop - 050'', ''Y2k 001'' e ''Trop 060''. Toca house fundindo-o com sonoridades verde-amarelas.
Seu primeiro CD chega às lojas pelo selo Tropic Records com distribuição da gravadora Trama. O material reúne 12 faixas melodiosas, algumas emprestando elementos da cozinha rítmica tropical. Diferente de outros trabalhos calcados na mistura da eletrônica com a musicalidade pátria, o duo parece escapar do caricato a que tantos descambam produzindo batucadas para turistas.
Em ''Pega no Cavaco'', eles utilizam o instrumento anunciado no título para brincar com ritmos e bpms. Em ''Tá Legal'', mesclam samba com timbres digitais. Em ''Genipabu'' e ''Parahyba's Groove'', contam com a participação do percussionista João Parahyba, do legendário Trio Mocotó. Um outro bloco de composições explora a leveza e o bom humor da house.
''Algum Lugar do Tempo'', a faixa de abertura, traz batidas lentas de deep. ''9 Berwick St'' anima com teclados anos-70 e baixo pulsante. ''Sex, Joy of Man's Desiring'', ''French Family'' e ''E o Meu Nome'' empolgam com texturas hipnóticas. Lunatics, anote, é o nome da vez na temporada.

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