Eles vão eleger o presidente
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segunda-feira, 25 de setembro de 2006
Ana Paula Nascimento<br> Reportagem Local 
Partido Honesto (PH), Partido dos Direitos e Deveres (PDD), Partido que Ajuda (PA). Estes partidos ainda não estão concorrendo às eleições marcadas para o dia 1º de outubro, mas, pelo menos, na Escola Municipal Olavo Soares de Barros, em Cambé, eles existem e concorrem hoje ao pleito de ''presidente da sala'' - um exercício prático para refletir sobre as eleições. Há seis candidatos: cinco meninas e um menino. Todos eles são alunos da 4 série do Ensino Fundamental e confeccionaram botons, além de elaborarem seus jingles de campanha.
Como uma eleição de gente grande, a turminha se preocupou em estabelecer o seu plano de governo, que no caso das crianças está voltado ao universo escolar. Ajudar a professora, estimular o diálogo entre os amigos, procurar evitar conflitos entre os alunos na sala de aula e no recreio e manter a ordem são algumas das propostas elaboradas por eles. A iniciativa, que é interdisciplinar, envolvendo as disciplinas de Português, Matemática, Geografia e Ciências, faz parte do Projeto Cidadania que a escola desenvolve desde o ano passado. Entre as ações práticas do projeto estão a arrecadação de cestas básicas para famílias carentes e leite longa vida para uma creche e um abrigo infantil.
A aluna Amanda Cássia Souza, 10 anos, afirmou estar mais consciente sobre a importância do voto e criticou o fato de tantas pessoas acharem que votar em branco é uma forma eficiente de tentar mudar a realidade do país. ''Isso não é inteligente. Não vai mudar nada votar em branco, porque isso acaba ajudando o candidato que está recebendo mais votos.''
O seu colega Lucas Lima dos Santos, 12 anos, gosta muito da disciplina de Matemática e está entre as suas propostas ajudar os alunos que não dominam a matéria.
Sobre a eleição atual para presidente, Laleska Bernardino Gonçalves, 12 anos, comentou que candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não lhe passa confiança. ''Dá a impressão que faz muito discurso e ele não cumpriu o que falou da outra vez'', destacou.
Procurar fazer propostas mais aplicáveis também fez parte do trabalho desenvolvido pelos alunos, explicou a professora Angélica Pires Nantes, que junto com as professoras Carla Daniela Martini e Marinalva Lima Lopes, coordenou o projeto. ''Acreditamos que a cidadania começa desde criança e com as pequenas ações. É a consciência dos direitos e deveres que vai proporcionar um adulto mais consciente'', afirmou.
Como forma de melhorar o nível dos nossos representantes, os candidatos mirins à eleição - pelo menos como presidente da sala de aula - disseram que é fundamental que todos os eleitores anotem os nomes dos candidatos que escolherem e acompanhem as suas ações no decorrer do mandato para evitar que voltem ao poder, se não agirem de forma correta, através da repetição do voto. Conversar em casa e entre os colegas sobre política também é uma lição que não pode ser esquecida. ''Normalmente as pessoas não gostam muito de falar sobre política, mas reclamar é um hábito comum'', lembrou Laleska.
Ao debaterem sobre os problemas sociais que o Brasil atualmente enfrenta, destacaram a miséria da população como um dos mais graves. ''Resolvendo o problema da fome, com certeza haveria menos problemas de segurança'', pontuaram.
Acostumados a conviver com falta de médicos nos postos de saúde, vagas nas escolas e buracos nas ruas do bairro em que moram, os alunos também demonstraram preocupação sobre essas questões e falaram que é comum os candidatos na época das eleições fazerem promessas para resolver todos esses problemas. ''Tenho um amigo que não encontrou vaga na escola neste ano e falou para mim que vai desistir de estudar. Se fossem construídas mais escolas que prisões, o país seria bem melhor'', ressaltou o aluno Ricardo Cavalcanti Domingues, 14 anos.
A própria escola em que estudam é um exemplo da demora para a realização de uma reivindicação tão básica e importante. Na época em que ficou pronta - nove anos depois dos moradores solicitarem a sua construção - já não atendia o número de crianças em idade escolar do bairro, isso fez com que muitos alunos tivessem que estudar em escolas afastadas de suas residências. Atualmente a escola está passando por uma ampliação, que contará com um pátio coberto. O sonho agora é ter uma quadra coberta para que possam praticar esportes mesmo em dias de chuva e já está na ponta da língua dos alunos que mesmo em uma bala de poucos centavos estão imbutidos impostos que deveriam ser investidos em educação e outros aspectos da política pública.


