Eles têm orgulho da raça
Eles são bem populares no Colégio Vicente Rijo e simplesmente não tem como passar despercebido o cabelão 'black power' dos irmãos gêmeos Renan e Renato José Francisco, 15 anos. Orgulhosos da sua raça, os irmãos são alunos do 2º colegial. Bem estudiosos, Renato pretende cursar Medicina; o seu irmão Renan quer estudar História.
Eles nasceram em Cornélio Procópio, mas aos oito anos mudaram para Londrina junto com a família. Desde crianças, o cabelo sempre foi cortado ''baixinho'', mas há dois anos resolveram deixar o cabelo crescer naturalmente e assumir de vez o charme 'black power'. ''A gente mantém esse cabelo por curtição, mas também porque aqui em Londrina ainda não encontramos um cabeleireiro legal especializado em cortes afros'', explicaram os irmãos.
Eles contaram que no começo os professores acharam meio estranho o novo visual, mas que depois aceitaram bem a cabeleira que consome mensalmente cerca de três vidros de xampu. Já com os colegas não houve muita polêmica e o sucesso com as meninas também não aumentou por causa do estilo irreverente. ''É normal...'', pontuaram, discretamente.
E os pais? O que acharam da novidade?, pergunto. ''No começo, eles não gostaram muito. O meu pai chegou a usar esse tipo de cabelo na sua juventude, mas depois isso virou coisa de 'maloqueiro' e ele passou a cortar bem curtinho. Ele ficou meio preocupado com o que as pessoas pensariam de nós'', disse Renan. Mas agora a família aceita bem o estilo que os irmãos ainda pretendem manter por um bom tempo. O pai dos garotos é segurança da Copel, local também onde a mãe trabalha como escriturária. A única irmã, Simone, 18 anos, tem um cabelo ''crespo solto'', na explicação dos irmãos, e faz cursinho para ingressar no curso de Estilismo e Moda da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
Sobre o sistema de cotas para afro-descendentes ingressar nas universidades, eles demonstram bastante consciência política. Acham que é um direito garantido que precisa ser respeitado e usufruído, mas afirmaram que querem, pelo menos no primeiro vestibular, tentar a aprovação sem o benefício do sistema de cotas. ''Os afro-descendentes têm que lutar pelos seus direitos e assumir o seu poder de influência na formação do país'', destacou o aluno Renato.
Por enquanto, buscam os seus sonhos estudando com afinco e curtindo a liberdade de serem jovens afro-descendentes que não sentem necessidade alguma de alisar os cabelos para serem aceitos numa sociedade que tende a privilegiar o padrão europeu de beleza. Como já dizia a cantora Sandra de Sá, o ''sarará crioulo'' está na moda, ainda mais pela originalidade. E por falar em modismo, os meninos já receberam alguns convites para serem modelos em campanhas publicitárias, só que eles nunca se concretizaram. Mas propostas ainda são bem-vindas.(A.P.N.)>





