Elvis, Hendrix, Lennon, Morrison, Cobain e tantos outros nomes comprovam: não são apenas bons acordes e riffs poderosos que transformam um astro do rock em uma lenda da música. A trajetória até o estrelato definitivo - sempre repleta de personagens peculiares e situações, no mínimo, estranhas - é terreno fértil para o nascimento de histórias fantásticas.
Seja através de contos sobre pactos com o diabo, mortes insolúveis ou orgias escabrosas, o 'além dos palcos' sempre atiçou a curiosidade dos meros mortais, fascinados pela vida de seus ídolos. Nada melhor que, neste dia 1º de abril, relembrar alguns dos fatos que mais semearam a polêmica e a discórdia dentro do universo da música.
As bizarrices misteriosas que - supostamente - aconteceram no meio do clima nebuloso de sexo, drogas e rock and roll são uma fonte inesgotável para inspirar biografias, romances e filmes. Livros como o do guitarrista Keith Richards, ''Vida'' - com mais de um milhão de exemplares vendidos - e sucessos cinematográficos como ''Quase Famosos'' (2000), ''O Garoto de Liverpool'' (2009) e o recém lançado documentário ''Raul Seixas - O início, o meio e o fim'' (2012) vêm para reafirmar o potencial destas histórias dentro do mercado cultural.
''Para mim, as várias histórias servem para elevar essas celebridades quase à categoria de semi-deuses. Dessa maneira, eles deixam de ser apenas músicos para se transformarem em pessoas que realizaram grandes feitos'', analisa o jornalista Sérgio Pereira Couto, autor do livro ''Segredos e Lendas do Rock'' e ''Dossiê John Lennon''. As teorias de conspiração são temas frequentes dentro da sua bibliografia, que conta com 40 livros publicados. ''Por exemplo, John Lennon também é lembrado porque fez muito pela paz mundial. Janis Joplin porque foi uma das primeiras intérpretes mulheres que se punha à mesma altura que os homens'', aponta.
Couto lembra que outros músicos como John Bonham (Led Zeppelin) e Keith Richards (Rolling Stones) também foram personalidades cujas histórias transcenderam a própria música que produziram. ''E quando existe um fim trágico, como o de John Lennon ou Jim Morrison, todos começam a assumir que eles foram porta-vozes de toda uma geração, de um tempo ou de uma determinada categoria de pessoas'', reflete.

Um milhão de Elvis
''O Elvis está vivo! Ele acabou de pedir um hambúrguer com cebola crua ali na esquina'', brinca Paulão Rock'n Roll, personalidade conhecida no cenário musical londrinense. ''Existem um milhão de Elvis. Ele está em todo lugar'', confirma o produtor e radialista, com uma risada. Pesquisador da história do rock, Paulão afirma que essas lendas constituem peças fundamentais dentro do universo da música. ''Eu acho legal essas várias histórias. Os artistas ou a mídia jogam isso para o público, brincam com os fatos para criar polêmica, e as perguntas ficam sempre no ar: será que aconteceu? Será que não aconteceu? Isso é divertido, e renova o interesse pela música'', aponta.
Ilustrando esses questionamentos, o jornalista Sérgio Pereira Couto relembra as várias versões espalhadas sobre a morte de Jim Morrison, vocalista do ''The Doors''. ''Há quem acredite que ele está criando cavalos na Argentina; outros que ele sumiu na África para traficar armas como Arthur Rimbaud, um de seus autores prediletos; outros, ainda, que ele foi morto, junto com Janis Joplin e Jimmi Hendrix, pela CIA'', revela o escritor.
No que ele acredita? ''A morte dele já gerou muitas teorias de conspiração e até testemunhos de pessoas que teriam visto Jim por aí, vivo e bem. Os fatos são, mesmo, muito estranhos: por que um americano que morreu em Paris foi enterrado por lá e não teve seu corpo retornado ao seu país de origem?'', questiona, assumindo que pensa em lançar um romance policial tendo como ponto de partida a vida de Morrison.
O rock pode até estar meio capenga de saúde, mas a curiosidade causada pelos mistérios que cercam a vida de seus principais ícones continua, até hoje, mais viva do que nunca.
(Leia mais na página 4)

mockup