Eles comandam a vibe
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quarta-feira, 02 de junho de 2010
Adriana Ito<br>Reportagem Local 
Balada. Ambiente escuro com luzes intermitentes, pista de dança lotada e nenhum espaço para o silêncio. A música não pode parar, é o combustível que move os corpos. E dançar ali é mais do que um exercício, um relaxamento ou uma tentativa de conquista. É uma forma de extravasar tudo aquilo que se é, que se sente e que não se pode expressar de outra forma a não ser no meio da multidão, sentindo a música por todos os poros do corpo.
Daí a responsabilidade do DJ: cabe a ele manter a vibe (as vibrações positivas, a animação) da festa, por meio de seu set list (a lista de músicas selecionadas) e de uma mixagem perfeita, unindo a música que se acaba e a que começa, como se uma fosse a continuação natural da outra. Mas será que para ser um bom DJ isso basta?
O bom DJ presta atenção na pista, coisa que muita gente hoje em dia não faz. A maioria vai com um set list na cabeça e não altera. Também é preciso conhecer o local e as pessoas para quem você está tocando. Conversar com elas, fazer amizade, ensina Carlos Suzuki, um dos primeiros DJs de Londrina.
Outra característica que faz a diferença, segundo Suzuki, é ter criatividade para saber surpreender o público, como na inserção de um elemento inusitado no meio de uma música.
Ainda assim, mesmo para um bom DJ, essa profissão não costuma ser muito rentável. Em Londrina, são poucos os que se destacam a ponto de conseguirem viver exclusivamente disso. Deve ter uma meia dúzia, estima o DJ Suzuki, que faz parte dessa seleta lista. Bastante requisitado, ele ganha pelo menos mil reais por semana. Não saio de casa por menos de R$ 300, afirma o DJ, que também não toca em qualquer festa é preciso indicação.
Mas, tirando Jesus Luz, o namorado da Madonna, ninguém consegue um cachê alto de uma hora pra outra, principalmente se atuar longe dos grandes centros. No caso de Suzuki, foram quase 20 anos de muita dedicação até chegar a esse ponto. E não basta apenas trabalhar duro; deixar uma marca é essencial para ter o nome reconhecido. No meu caso, desde o começo eu não seguia muito a moda, tinha uma identidade própria e escolhia muito bem o que fazia, revela o DJ, que se recusa a tocar axé, pagode, sertanejo, forró e funk. Não gosto, justifica, reconhecendo porém que, para quem está começando, esse repertório comercialmente é bom, já que aumenta o número e a variedade de eventos possíveis.
E as possibilidades são muitas. Londrina não tem tanta balada, mas o mercado de trabalho é vasto. Pode-se tocar em casamentos, aniversários, programas de rádio, desfiles de moda, trilhas sonoras de curtas-metragens, coquetéis, lojas. Campo de trabalho tem, mas tem que saber se vender para as pessoas quererem te contratar, recomenda o DJ Daniel Daus, que já foi residente em bares e boates em Londres.


