Eleotério é dono da "eleotério"
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quinta-feira, 04 de setembro de 1997
Zeca Corrêa Leite Curitiba 
Mauro FrassonEleotério Burrego:O brasileiro está lendo bastanteA Estátua da Liberdade, o símbolo que contempla a América da Ilha de Manhattan, botou a tocha de lado e, com as duas mãos apoia um livro. Leitora concentrada, ela é a marca que sugere o mote Leia. O livro liberta que será usado pela mais nova loja de Curitiba, a Livraria do Eleotério.
Eleotério de Oliveira Burrego abre suas portas hoje, a partir das 17h, numa inauguração que promete movimentar um ponto privilegiado da cidade - a Rua Quinze de Novembro, entre o Teatro Guaíra e a Universidade Federal do Paraná.
Quando sonhava de olhos abertos sobre um estabelecimento que fosse seu, era ali que deveria estar, imaginava ele, perto da universidade. Não queria fugir de onde me criei, explica com simplicidade. Trocando em miúdos, foi a alguns metros adiante, na Rua General Carneiro, que ele passou os últimos 21 anos mexendo com livros e atendendo ao público, na Livraria do Chaim.
No antigo emprego, Eleotério conheceu um público que, imagina-se, estará formando a maior parte dos frequentadores de primeira hora de sua loja. São professores, estudantes, leitores comuns e outros nem tanto, como os escritores Cristóvão Tezza e Dalton Trevisan.
Aliás, Dalton recebia recados e correspondências pelas mãos de Eleotério, que depois eram respondidos fazendo o caminho inverso, dentro do mesmo roteiro. Na qualidade de gerente, vendedor, comprador e tudo o mais no tradicional endereço, o moço sentia-se dono daquilo tudo. Até o dia em que um revendedor de livros propôs a sociedade.
Ainda não foram contabilizados os gastos com a mobília, mercadorias e reforma do prédio, onde por algum tempo funcionou um restaurante. Os cifrões assustam antes mesmo de serem conhecidos. Por outro lado o comércio livreiro promete. Hoje, no Brasil, edita-se muito, sem contar as importações. O brasileiro está lendo bastante, aposta o dono da livraria.
50 milA Eleotério começa a funcionar com 50 mil exemplares dispostos em prateleiras que ocupam os 260 metros quadrados da casa. A equipe será formada por oito funcionários, sendo cinco vendedores (aqui o empresário se junta ao grupo). Detalhe importante: todos têm experiência no mercado livreiro, além de serem apaixonados pela leitura.
A ênfase da casa recairá sobre as áreas jurídica, literatura em geral e ciências humanas. Ficam fora dois assuntos específicos: Medicina e Computação. Um serviço pouco explorado pela concorrência, embora existente, estará na pauta da Eleotério: o disk-livros. Funcionará de segunda a sexta-feira das 8h às 20h e aos sábados das 8h às 13h, mesmo horário de expediente da loja.
Para quem gosta de folhear um livro, sem se sentir na obrigação de levá-lo para casa, haverá a sala de leitura. Ali poderão ser realizadas pesquisas e leituras; haverá inclusive periódicos que a livraria assina à disposição da clientela.
LiberdadeVoltando à estátua da Liberdade, por que ela representa a loja? Simples: o nome Eleotério etimologicamente quer dizer liberdade. Além de servir como grife, poderia se associar a uma imagem - e foi isso que Eleotério de Oliveira Burrego fez, numa pesquisa infrutífera até um publicitário sugerir o famoso presente que os franceses deram aos Estados Unidos.
As cores azul e amarelo, transformadas nas cores oficiais da livraria, juntas dão o tom esverdeado da estátua. A marca começa a circular nos convites, nos marcadores de livros, nos folhetos promocionais. Todos os cuidados estão sendo tomados, dentro do possível, para a divulgação da loja que deverá ter vida longa. Pois, como diz Eleotério, foi um sonho bonito que aconteceu.
Livraria do Eleotério - inauguração hoje, às 17h. Rua Quinze de Novembro, 1.057, em Curitiba.


