Elenco multifacetado encerra a edição 99 do Heineken Concerts
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quinta-feira, 08 de abril de 1999
Por Mauro Dias 
São Paulo, 09 (AE) - O Heineken Concerts 99 chega amanhã (10) ao seu último dia. Apresenta os shows de Pedro Aznar e Toninho Horta, no Teatro Alfa Real, a partir das 21 horas. Meia hora depois, na Tom Brasil, tem início o outro espetáculo da noite, com o compositor Tom Zé capitaneando um elenco multifacetado - tem o padeiro-orquestra de Marcos Suzano, os violões expressivos do Duofel, a música agreste da Banda de Pífanos de Caruaru, a participação do pós-mangue beat Otto, do compositor de soul music Cláudio Zoli e a discotecagem da M4J.
Multiplicidade está sendo a marca desta edição do festival, de concepção corajosa e complexa. Mesmo os espetáculos mais acessíveis ao grande público, como o comandado por Tom Zé, trazem dose de estranhamento. Exatamente como serão combinados os sons da M4J e os violões do Duofel e os sons destes com os da Banda de Pífanos de Caruaru, é coisa que se verá em cena. Pode dar certo ou não. Pode agradar apenas aos que gostam de Tom Zé ou só aos que admiram Otto - com certeza, em nenhum outro palco seria ousada a mistura.
Pedro Aznar, que abre a noite no Alfa Real, é um músico argentino de projeção internacional, integrante da banda do guitarrista Pat Metheny (gravou com ele alguns discos premiados com Grammys) e dono de carreira-solo como compositor e instrumentista. Canta com Gal Costa no último disco dela, música dele, o baladão "Amor de Juventude". Em disco mais novo, "Cuerpo y Alma", lançado no ano passado, canta com o acordeonista gaúcho Luiz Carlos Borges e em trio com os irmãos, também gaúchos, Kleiton e Kledir; e fez versão para canção "À Primeira Vista", de Chico César. Seu trabalho tem ponto de apoio na música pop. É bem construído, melodioso, harmonicamente rico. Pedro Aznar deve constituir-se em boa surpresa para o público brasileiro - é pouco conhecido aqui.
No entanto, sua música não poderia ser mais diferente daquela introspectiva do violonista mineiro Toninho Horta. Vale lembrar: Toninho Horta é a fonte de inspiração de Pat Metheny, que, por sua vez, é uma grande influência de Aznar. Toninho vai estar à frente de um quarteto de estrelas formado pelo contrabaixista Gary Peacock, pelo baterista Jack DeJohnette (os dois foram, por muitos anos, do trio do pianista Keith Jarrett) e pelo saxofonista brasileiro Nivaldo Ornelas. Mostrará suas composições e viajará pelo universo jobiniano, que visitou no recente disco "De Ton para Tom", lançado internacionalmente.


