Dois espetáculos com casa cheia marcaram a passagem da peça ‘‘Trair e Coçar é Só Começar’’, de Marcos Caruso e direção de Attilio Riccó, ontem no Centro Cultural de Cornélio Procópio. A peça, que está há 12 anos em cartaz no Brasil, faz uma temporada no interior do Estado e o elenco já se entusiasmou com o público local.
‘‘É muito bom saber que o hábito de se ir ao teatro também acontece no interior, o que falta são oportunidades de grandes espetáculos’’, comentou a atriz Clarisse Derzie, que interpreta uma empregada doméstica atrapalhada na peça.
Para os atores, a maior dificuldade para que grandes espetáculos venham com mais frequência ao interior é a falta de apoio. ‘‘Fica difícil deixar o eixo Rio/São Paulo sem ter os devidos meios, sem espaços adequados ou aparelhados para apresentações. Não podemos nos aventurar, vivemos disso’’, argumentou o ator Roberto Pirillo.
Outra dificuldade, segundo Pirillo, é que o público no interior reclama do preço do ingresso. ‘‘Acham caro R$ 15,00, mas se vão a São Paulo e pagam R$ 30,00, morrem de rir e acham o espetáculo ótimo.’’ Abrir a visão de que a arte é uma profissão como outra qualquer, é, segundo os atores, o que falta para o público de um modo geral.
‘‘Paga-se para ir ao médico, para apreciar comidas e por que não para assistir uma peça teatral. Somo profissionais liberais e nos dedicamos às horas/trabalho como todo profissional’’, disse a atriz Ana Maria Dias. Mesmo assim, o elenco garante a melhor atuação no interior, tirando profundas gargalhadas do público. De hoje à sexta-feira, eles se apresentam em Maringá. Sábado e domingo, a peça estará em Ibiporã, em comemoração aos 10 anos do Teatro Padre José Zaneli.

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