O assunto ''referendo'' marcado para o próximo dia 23 está em todo lugar e na sala de aula da 3 série da Escola Municipal Santos Dumont, do Jardim Riviera, em Cambé, ele também ganhou destaque. Desde o início da semana, os alunos estão trabalhando esta temática que inclui debates com os colegas, produção de textos, elaboração de desenhos e até uma simulação do voto ao referendo que vai definir se o Brasil deve ou não comercializar armas de fogo e munições. O assunto é complexo e polêmico. A própria professora admite que ainda tem algumas dúvidas sobre qual posição tomar, mas garante que na sala de aula procurou trabalhar os pós e contras da questão para que o aluno formulasse a sua própria opinião sem se deixar influenciar pelo posicionamento da professora.
Para simular a votação do referendo que coloca a pergunta: ''O comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido no Brasil?'' os alunos confeccionaram os próprios títulos de eleitor e escolheram os alunos que iriam ocupar os cargos de presidente da mesa, mesário, secretário e fiscal eleitoral. Uma urna também foi improvisada e todos puderam experimentar na prática o que é o exercício cidadão de votar. Comentaram que não acharam a tarefa fácil. ''Dá trabalho votar. É muita responsabilidade'', afirmaram alguns.
Na sala de aula, antes da votação, havia um ''empate técnico'' entre os que são contra e os a favor do comércio de armas e munições no País. A idade que predomina entre os alunos é 9 anos, mas, apesar do pouco tempo de vida, as crianças já sabem concretamente o que é conviver com o medo. Dos 16 alunos presentes, dez contaram que já viram uma arma e um deles chegou a pegar em uma arma de fogo. Os relatos também têm outro ponto em comum: não é raro ouvirem tiros nas redondezas da escola enquanto estudam. Alguns até já presenciaram assassinatos à luz do dia.
E nesse cenários as crianças vão criando os seus próprios conceitos e tentando elaborar a melhor escolha. Como resultado das atividades sobre o referendo, os alunos selecionaram um representante a favor e um contra para defender diante da turma toda os seus respectivos argumentos.
O aluno Alan Silva Rodrigues, 9 anos, disse que é a favor do comércio de armas e munições no Brasil. Ele mora com o avô que foi policial e tem a mesma opinião de Alan , e a avó, que é contra o comércio de armas e munições. ''Se parar o comércio de armas vai ficar tudo mais fácil para os bandidos. Eu acho que com as armas a gente se sente mais seguro e quando eu crescer acredito que também terei que ter uma arma'', afirmou.
O seu colega Marcelo Vieira Alves, 9 anos, é a favor da proibição do comércio de armas e munições. Ele mora com os pais, mas comentou que não sabe qual é a posição deles sobre o referendo. ''Sou contra o comércio de armas porque muita gente está morrendo por causa das armas de fogo. E mesmo que a pessoa tenha arma em casa, não vai dar tempo de pegar para se defender'', ressaltou.
A professora Sílvia Sonada, 27 anos, e que há cinco dá aula na escola, relatou que está sendo desafiador trabalhar o assunto da violência na sala de aula. ''O ideal é que houvesse um trabalho maior de conscientização sobre os fatores que promovem a violência e a escola trabalhasse junto com a família. O assunto é complicado. Por um lado penso nas pessoas que moram longe dos centros urbanos e precisam se defender; por outro, penso no quanto a falta de emprego pode incentivar o envolvimento com o roubo. Há muitas coisas envolvidas na violência: dinheiro, capitalismo, o apelo do consumismo'', destacou.
No final, a maioria das crianças decidiu pela proibição do comércio de armas e munições no Brasil. No total, foram 10 votos pelo ''sim'', 6 pelo ''não'' e 1 nulo, considerando também o voto da professora.
E aproveitando o debate sobre a violência, a Secretaria de Educação de Cambé, organizou para o próximo dia 22, sábado, a partir das 9 horas, uma Passeata Pela Paz, com saída do Centro Cultural, que fica próximo à Prefeitura. Todos os alunos da rede pública e particular da cidade foram convidados para esse manifesto que insere em si o desejo de todos.

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