Eleições presidenciais: a juventude nas ruas
Durante anos, a juventude não esteve tão presente nas manifestações políticas como desta vez
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sábado, 24 de outubro de 2026
Durante anos, a juventude não esteve tão presente nas manifestações políticas como desta vez

Uma das surpresas nas eleições presidenciais que terminam neste domingo (25), foi a presença maciça da juventude brasileira nas ruas, especialmente a universitária. Durante anos, questionou-se a ausência das novas gerações com tanto empenho nos atos mas, desta vez, o que não faltam são brasileiros entre 20 e 30 anos, ou até menos, tomando as ruas das capitais e das cidades do interior, especialmente mobilizados pela eleição de Lula (PT).
Durante anos, a juventude parecia não estar tão presente nos movimentos políticos, uma espécie de apatia parecia impedir essas inciativas, mas este ano, a partir da mobilização dos estudantes da UFF - Universidade Federal Fluminense - de Niterói (RJ), multiplicaram-se atos em série por todo o País.
Isso também não está restrito aos menores de 30, uma parte remanescente da população que viu a explosão de Maio de 68 reverberar de Paris para o mundo, e as Diretas Já no Brasil, em 1983, permanece nas ruas, numa indicação de que manifestações politicas - ao contrário do que muitos pensam por desprezo ou preguiça - rejuvenescem quem tem mais de 50, 60 ou 70 anos.
Só em Londrina, foram três atos puxadas pelos universitários, juntamente com partidos políticos, sindicatos e movimentos sociais, em três regiões diferentes da cidade: o primeiro na avenida Higienópolis, no dia 11, uma semana depois, no dia 17, na Gleba Palhano e, neste sábado (24), haverá mais um ato na av. Saul Elkind (zona Norte ).
Mais do que apontar o apoio a esse ou aquele candidato, este artigo trata do rejuvenescimento dos movimentos politicos e da reativação da cidadania.
Neste sentido, o apoio de artistas em campanhas também merecem registro. Há duas semanas, surgiu o apoio dos chamados Fandoms, clubes de fãs de grandes aristas que manifestaram apoio a Lula.
Se os "clássicos" nacionais como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Maria Bethânia, Emicida, Luisa Sonza, Daniela Mercury, Chico César e Liniker disseram "presente", artistas internacionais também se manifestaram como o porto-riquenho Bad Bunny, o britânico Rogers Waters, a banda norte-americana The Strokes, com forte presença de seu vocalista Julian Casablancas, o uruguaio Jorge Drextler, entre outros.
Na contrapartida, a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) reuniu 30 cantores sertanejos no último dia 20, numa fazenda na região metropolitana de Goiânia, para manifestar apoios em torno de sua candidatura. Gusttavo Lima, Zezé Di Camargo, Marrone (da dupla Bruno & Marrone), Jorge (da dupla Jorge & Mateus) e Murilo Huff figuram entre esses apoiadores em mensagens também destinadas às redes sociais.
Independentemente das contratações ou peças publicitárias feitas para o horário eleitoral na TV ou inserções nas redes, as manifestações de rua têm um componente orgânico, espontâneo, que se constitui um fenômeno nesta eleição, reforçando a marca revolucionária da juventude.
Tem sido assim ao longo da história: de Maio de 68 aos 'caras pintadas' das Diretas Já, até a explosão de cores e bandeiras nos atos deste ano de eleições febris no Brasil, a juventude combina política com energia e criatividade. E, de carona, contagia os mais velhos que tiram seus bottons e bandanas da gaveta para se entregar, de novo, àquele bom exercício de cidadania. Agora, é das ruas às urnas!


Celia Musilli
Editora de Cultura e colunista.


