Elegantemente informal
Elegantemente informal
Mesmo marcado por um repertório óbvio e uma roupagem mais puxada para as baladas, Intimidad é um bom disco de bolero. E o que realmente chama a atenção é que Joanna resolveu deixar de lado a sisudez vocal característica para se entregar com emoção - sincera - na maioria das faixas. Ou seja, a cantora Joanna dá lugar à intérprete Joanna o que, consequentemente, acaba dando um sopro novo a canções manjadas como Quizás, Quizás e Tu me Acostumbraste, por exemplo. A inflexão e emoção na dose certa suprem também a falta de mais bongôs mesmo que Intimidad se proponha a ser um disco mais conceitual do que propriamente um produto de releituras modernex.
Não é fácil absorver um disco de bolero assim, numa sentada só. Intimidad também não foge à regra. Mas é agradável, dá vontade de voltar a ouvi-lo várias vezes mesmo que seja necessário pular essa ou aquela faixa. É que mesmo com um quê de sofisticação, Joanna deixa a desejar justamente na versão que Armando Manzanero fez para La Vida Se Hizo Pasión, dos brasileiros Augusto César e Paulo Sergio Valle. Há um quê de bolero de bordel...
Entretanto, há outras canções que conseguem esconder esse deslize. A começar por Júrame (Maria Grever), que abre o disco, em que Joanna canta que é uma maravilha apesar do sotaque. Igualmente bela é Regálame esta noche (Roberto Cantoral).
Os arranjos, assinados por Pablo Aguirre, são bastante eficazes - cordas são usadas com parcimônia, teclados idem. Por ser um disco conceitual, não chega a ser muito questionável o fato de o maestro não usar tanto percussão. Mas assim mesmo um pouco mais de bongô e afins seria de bom- tom. Detalhes. O fato é que Intimidad já vale a pena por uma preciosidade - Ahora que te Vas, composta por Armando Manzanero especialmente para ela. Lindo!
Intimidad pode não ser tão personalizado e extremamente sofisticado como Bolero, um disco antológico gravado em 93 por Nana Caymmi. Mas felizmente, não ruma pelo mesmo caminho dos bolero-lero que Tânia Alves vem gravando ultimamente. É quase um meio termo desses dois trabalhos, muito embora esteja mais, muito mais inclinado para a primeira opção. Moral da história: quando alguém quer ser chique ou elegantemente informal, consegue. Joanna e seu Intimidad é um bom exemplo. (A.M.J.)





