Os intervalos entre um disco e outro estão cada vez mais longos. Desta vez, foram oito anos de espera. Mas, enfim, Sade voltou às lojas. ‘‘Lovers Rock’’, seu quinto álbum, traz uma coleção de 11 canções inéditas nas quais a delicadeza interpretativa permanece como trunfo.
A cantora e compositora pouco mudou desde sua estréia com o álbum ‘‘Diamond Life’’, em 1984, quando chegou ao primeiro posto das paradas britânicas com a música ‘‘Smooth Operator’’. Mas o que em outros poderia sugerir abominável repetição, nela se revela coerência estilística.
Sade Adu mescla instrumental acústico e bases eletrônicas mantendo a combinação bem-sucedida de r&b, soul, jazz e bossa nova. No novo trabalho, ela flerta com o dub na faixa ‘‘Slave Song’’, um dos poucos escorregões de um repertório que prima pelo despojamento e homogeneidade.
A voz de veludo e a languidez que a transformaram em sinônimo de elegância cool continuam imperturbáveis. Em ‘‘The Sweetest Gift’’, ela canta acompanhada apenas por um piano. Em ‘‘It’s Only Love That Gets You Through’’, um órgão faz o fundo. Mas os principais destaques ficam por conta de ‘‘King of Sorrow’’, ‘‘All About Our Love’’ e ‘‘Immigrant’’.
A banda é a mesma de seu primeiro disco reunindo músicos de primeiro time como Stuart Matthewman (guitarra), Paul S Denman (baixo) e Andrew Hale (teclados e programação). Eles se conheceram pouco depois de Sade se formar num curso de design na prestigiada escola de arte St.Martin. Em 1982, montaram a banda Pride, que tocava jazz e funk no Clube La Beat Route, então ponto de encontro da nova boêmia chique londrina.
O grupo atraía cada vez mais gente ao local, mas a maioria se curvava mesmo para o charme da cantora, cuja ascensão foi instântanea. Uma capa na revista Face, bíblia do estilo na época, foi suficiente para elevá-la ao status de revelação da temporada. Ao lançar o primeiro disco, foi filiada à corrente ‘‘new-bossa’’ ao lado de grupos como Style Council e Everything But the Girl.
Musa da tendência, Sade arrebanhou admiradores em todo o mundo, incluindo o Brasil. O cineasta Bruno Barreto afirmou certa vez numa entrevista à MTV que seu sonho era gravar um clipe da cantora interpretando Tom Jobim. Filha de um nigeriano com uma loura inglesa, Sade tornou-se uma espécie de anti-Madonna do pop, optando pela reclusão.
Alheia às frivolidades do showbizz, sempre manteve distância da mídia evitando entrevistas e especialmente perguntas sobre sua vida pessoal. Aos 42 anos, ela parece ostentar total controle sobre sua carreira, mesmo vinculada à indústria fonográfica. Só isso para explicar suas já conhecidas pausas, que começaram logo depois do lançamento de seu segundo disco (‘‘Promise’’), quando ficou três anos sem gravar.
Em 1988, retornou ao estúdio para registrar ‘‘Stronger than Pride’’, calando-se de novo ao enfrentar uma crise amorosa de quatro anos após a dissolução de seu casamento com o diretor de cinema espanhol Carlos Scola. Na época, chegou a se retirar do palco no meio de um show em Frankfurt, na Alemanha. Sade pediu desculpas e saiu.
O quarto trabalho, ‘‘LoveDeluxe’’, a reconduziu às paradas em 1992 através do hit ‘‘Ordinary Love’’, que embalou cenas tórridas de Robert Redford e Demi Moore no filme Proposta Indecente. Neste mesmo ano e na temporada seguinte, foi sondada para se apresentar no Free Jazz Festival, mas a imprensa afoita apenas pagou mico ao anunciar sua confirmação.
Sade ficou quieta durante todo esse período. Mas sua volta é triunfal: ela assina todas as letras, a produção e os arranjos de ‘‘Lovers Rock’’. Outra novidade para os fãs é a criação de seu web site oficial (http://www.sade-online.com).

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