Ele sabe tudo sobre Agatha Christie
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segunda-feira, 08 de agosto de 2016
Ubiatan Brasil <br> Agência Estado 
O dentista e administrador de empresas Tito Prates tem uma paixão literária tão forte que o torna incomum. O bom observador que notar o bigode que ele costuma usar entre julho e setembro (período em que se comemora o aniversário de sua autora preferida) poderá descobrir o nome da escritora - bem delineado e com as pontas viradas para cima, no formato de um gancho, é uma das marcas principais do detetive Hercule Poirot, criado há exatos cem anos por Agatha Christie (1890-1976), a romancista mais bem-sucedida da história da literatura popular mundial, com cerca de 4 bilhões de cópias vendidas de todas suas obras.
Tito é mais que um fã, é um profundo conhecedor da carreira artística e pessoal de Agatha, autora de 80 romances policiais e compilações de pequenas histórias, além de 19 peças e seis romances escritos sob o nome de Mary Westmacott. Todos esses livros foram lidos por Tito, e mais de uma vez. Ele também iniciou uma invejável coleção, que inclui raras primeiras edições, fotos, programas de teatro. E seu conhecimento é tamanho que Tito recebeu o cargo de embaixador brasileiro de Agatha Christie, concedido por Mathew Prichard, neto e administrador do legado da escritora.
"Existe apenas um outro embaixador, nos Estados Unidos", conta ele, que se prepara para lançar o livro Agatha Christie From My Heart - Uma Biografia de Verdades (Editora Illuminare), obra que tem a bênção do espólio da autora. O lançamento será no dia 31 de agosto, às 19 horas, na Bienal Internacional do Livro, em São Paulo.
Curiosamente, Tito não tem Hercule Poirot como seu personagem preferido, posto ocupado por Miss Marple. "Quem conhece Agatha, sabe que ela tinha Poirot como meio de trabalho - no início da carreira, quando Agatha tentava se afastar de Poirot, os editores pediam que voltasse a ele. Ela se sentiu amarrada ao detetive."
Tito prefere Miss Marple por sua veracidade. Segundo ele, depois de 1960, Agatha sentiu a necessidade de abandonar a visão vitoriana da própria avó e floresceu como Miss Marple, colocando a crítica social em suas histórias.


