Durante os 25 minutos de "A que deve a honra da ilustre visita este simples marquês?", Conradt usou o espaço que lhe foi dado pelos cineastas da maneira como quis. Apesar de não ser ator, o curitibano contou e interpretou histórias que presenciou e que envolviam suas coleções de uma maneira que, para Rafael Urban e Terence Keller, fez dele o "dono" do curta-metragem.
Os dois apenas davam orientações para Conradt – que nem sempre eram seguidas da forma como os cineastas queriam. "Por mais que o visitássemos por três anos, de alguma forma ele toma o filme para si e diz: esse é o meu filme. A gente pensou em espaços em que ele pudesse contar histórias como se fosse um palco", comenta Urban. As partes do filme em que Conradt conta sobre as coleções tiveram que ser regravadas, pois ele não conseguia se limitar ao curto espaço de quatro minutos pretendido pelos cineastas.
Para Keller, isso ocorreu porque Conradt, da mesma forma como coleciona pinturas, assinaturas, livros, revistas e cartazes, também é um colecionador de histórias. "As coleções dele são de outros planos, não apenas no sentido físico. As histórias que ele conta no filme ele repete por diversas vezes e de várias formas diferentes."
O desprendimento do "ator" em cena também chamou atenção do público. Urban e Keller contam que, durante a mostra em Brasília, em uma cena em que Conradt apresenta a coleção de revistas, o público de 800 pessoas se mostrou bastante curioso e inquieto com as revistas Playboy da prateleira. "As pessoas esperavam ansiosas o momento em que ele ia falar da Playboy e ele, como se adivinhasse, falou de todas as revistas e deixou logo essa por último", omenta Urban. (R.B.)

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