Zeca Corrêa Leite
Sucursal de Curitiba
Papai Noel está à solta nas ruas, nos corações das pessoas, na ilusão de crianças e adultos. Não importa se mais gordo ou mais magro, sentado em tronos nos shoppings ou batendo sininho na calçada, nas lojas periféricas. Sua imagem solidificou dentro de cada um, deixou sua sombra nos recônditos de nossas emoções e, bem ou mal, o velhinho ronda a adoração dos Reis Magos. Comércio e solidariedade – que é um reflexo de cristianismo – movem o ser humano na época natalina.
São tempos de absurda solidão e frustração por aqueles que não têm o que dar e receber, seja um presente, um abraço, um aperto de mão, um beijo no rosto. Mesmo que fosse tão-somente um olhar. Sensível a esse incômodo, parte da sociedade se debruça nas campanhas de distribuição de brinquedos, roupas, alimentos em nome do cristianismo, da solidariedade. No borbulhar dos champanhes de final de ano, finda esse tempo de divisão de bens e afetos. A vida retoma seu figurino individualista, exclusivista.
É aí que os Papais-Noéis verdadeiros, espécies de anjos de asas atrofiadas e sem o charme da azáfama em embrulhar presentes e doces, mostrados nos noticiários de TV, voltam ao seu destino feito de silêncio e luta. Muitas vezes agredidos por essa mesma sociedade condoída e solidária, como é comum ocorrer com aqueles que acolhem crianças aidéticas e abandonadas.
Essa gente anônima – não importa se ricos ou pobres – é que alimenta e dá sentido ao conceito da solidariedade, no correr dos dias, semanas, meses. Com o fim da euforia natalina, esse pequeno exército vai bater nas portas em busca de dinheiro, remédio, alimentos, roupas, agasalhos.
São Papais Noéis desengonçados, longe das fantasias, cumprindo seu papel de proteger e manter ainda vivos os sentimentos de amor, fraternidade, fé encerrados nos votos de final de ano.

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