Ele está entre nós

Estelio Feldman
Dias Gomes é imortal. Não porque ele ingressou em 1991 na Academia Brasileira de Letras. Tem muita gente que entrou, ainda está lá e não existe. Pelo que escreveu, pelo que fez, pela luta, pela coragem, pela inteligência, pelo que representa, Dias Gomes não morreu. Repito, ele é imortal. O acidente, que muitos vão chamar de estúpido, apenas serviu para antecipar um pouco, quem sabe, a passagem natural para todos os seres vivos. Aos 76 anos, o corpo de Dias Gomes deixou de funcionar. Sem dúvida, ele ainda, lúcido como sempre, poderia continuar entre nós mais algum tempo, escrevendo, comentando, existindo fisicamente. Seria bom, o Brasil ainda poderia se beneficiar muito daquela lucidez e inteligência que criou textos excepcionais.
Mas, a morte, inevitável, nos priva da presença física. Resta aquilo tudo que Dias Gomes nos deixou, uma obra fantástica, aliada a uma coragem tremenda. Não se pode esquecer este detalhe da coragem. Dias Gomes vivenciou dois períodos totalitários, no Brasil: a ditadura Vargas, bem na época em que ele começava sua carreira, e os 21 anos do poder militar, quando foi perseguido e teve de enfrentar, com muita disposição, as trevas que a ignorância totalitária pretendeu impor.
Mas, até como dizem os religiosos, a luz triunfou. Dias Gomes continuou a escrever, usou o meio mais popular, a TV, para levar de modo inteligente suas histórias e idéias, para arejar o País. Desde ‘‘O Pagador de Promessas’’ até ‘‘Roque Santeiro’’, só para citar dois extremos fantásticos de criação para passar uma mensagem de vida e coragem, Dias Gomes iluminou a vida brasileira.
E continua. É imortal. Isto se formos um país civilizado que guarda e cultua aqueles que imortalizam sua alma.
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Na sua opinião, qual foi a melhor novela de Dias Gomes?

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