Ele é apenas Bond, James Bond...
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sexta-feira, 04 de outubro de 2002
Agência Estado''Admiro sua sorte, senhor...?''''Bond. James Bond.'' (Sylvia Tren 
''O que você está fazendo aqui? Procurando conchas?'' ''Não. Estou apenas olhando.'' É verdade que pouca coisa restou a James Bond além de ''apenas olhar'' Honey Ryder sair do mar em seu legendário biquíni de algodão branco. Mas não era só isso o que ele fazia naquela ilha jamaicana em ''007 Contra o Satânico Dr. No'' (''Dr. No''), primeiro filme do espião britânico, que comemora 40 anos de estréia. Ele também buscava informações secretas, estratégias inimigas e, claro, um romancezinho de ocasião. Tarefas nada árduas para alguém como ele: inteligente, charmoso e canalha.
A primeira aventura do mais famoso agente do serviço secreto britânico estreou nas telas do Reino Unido em 5 de outubro de 1962. O personagem havia sido criado cerca de uma década antes pelo oficial da inteligência naval britânica Ian Fleming (1908-1964). Desde o final da Segunda Guerra, Flemming havia se retirado para uma casa na Jamaica (que batizou Goldeneye), onde passou a exercer seu hobby literário em tempo integral. Lá, escreveu ''Casino Royale'', primeiro de uma série de doze romances - na qual se inclui ''Dr. No'' - e oito contos protagonizados pelo espião.
Em seu ''début'' cinematográfico, James Bond ganhou o rosto, os gestos e o famoso sorriso no canto do lábio de Sean Connery. O ator escocês, que atuou nos cinco primeiros filmes da série, é considerado por muitos fãs do espião o seu melhor intérprete, e provavelmente os produtores tinham a mesma opinião quando chamaram-no novamente para o papel em ''007 - Os Diamantes São Eternos'' (''Diamonds Are Forever''), de 1971, depois do fiasco do australiano George Lazenby, modelo e ator (mais modelo do que ator, e ainda com a difícil missão de substituir Connery), em ''007 - A Serviço de Sua Majestade'' (''On Her Majesty's Secret Service''), de 1969. Connery sabia que encarnava tão bem o agente secreto que confessou, anos mais tarde, que tinha receio de ficar estigmatizado pelo personagem.
Para quem vive no mundo das microcâmeras, micro-sensores e microbombas, a primeira cine-aventura de Bond pode até parecer simplória. Mas vale lembrar que estamos no começo dos anos 60: Yuri Gagarin acaba de bradar que a terra é azul, a dona-de-casa descobre as maravilhas da cozinha projetada, o Chevrolet Impala, o Ford Thunderbird e o Cadillac De Ville conversível são o sonho automobilístico da patota e o Grande Irmão, de ''1984'' (escrito por George Orwell em 1848 e publicado em 1949) não passa de uma entidade meramente fictícia.
Sem as supermicroferramentas que marcariam os filmes posteriores, em ''Dr. No'' o agente secreto teve de se virar. Diferentemente do aparato tecnológico que cerca o espião hoje em dia, neste filme de 1962 ele apenas troca sua Beretta (considerada ''sem alcance'' pelo armeiro requisitado por M - Bernard Lee -, chefe da M.I.6, divisão da inteligência britânica) por uma Walther PPK com silenciador antes de embarcar para sua missão na Jamaica, onde terá de desvendar a morte de um outro agente.
Portanto, o que lhe resta são a inteligência, o conhecimento, a destreza e a força. Os dois primeiros lhe servem, por exemplo, para descobrir quem mexeu em sua pasta utilizando talco ou se alguém vasculhou seu armário com um simples fio de cabelo e duas gotas de saliva. Já os dois últimos lhe servem para bater, e bater muito: o primeiro inimigo é dominado ''no braço'', assim como o segundo. E o terceiro também, só que com a ajuda de um chinelo para massacrá-lo até ficar da espessura de uma folha de papel (pobre aranha...).


