Ele disse
q''Eu tive sorte de começar sendo premiado. Meu espetáculo estreou dia 13 de dezembro de 1949, era ''Um Deus Dormiu lá em Casa'', do Guilherme de Figueiredo, a convite de Tônia Carrero. Nosso espetáculo ganhou cinco prêmios: melhor peça, melhor direção, melhor cenário, revelação de atriz, revelação de ator Tônia e eu. Então, eu fiquei completamente idiota. Achei que era ''o tal'', que era um grande ator que por acaso tinha nascido no Brasil e que finalmente os críticos se curvavam diante do meu talento''.
q''Que maravilha é gostar tanto de teatro e saber que jamais vai poder fazer o Hamlet, jamais vai poder fazer o Otelo, jamais vai poder fazer o Édipo, e continuar a fazer teatro, a ser ator a vida inteira. E quantos fizeram isso. É um dos aspectos mais bonitos da nossa profissão''.
q''Nós somos capazes de fazer um teatro de altíssima qualidade no Brasil. Não temos nenhuma razão para ter qualquer sensação de inferioridade. Digo sempre que a nossa média, comparada com a de alguns países desenvolvidos, é mais''.
q''Na primeira novela (Pai Herói) fiz um italiano débil mental que era o Baldaracci. Na segunda novela, Guerra dos Sexos, fiz um débil mental que era o Bimbo. Era muito engraçado o Bimbo. E na terceira novela, Sassaricando, fiz um débil mental que se chamava Cicinho. Raciocinando bem, qual é o personagem da novela que não acaba se tornando débil mental? Porque eles têm de não saber coisas que o espectador já sabe, têm de ignorar fatos importantes, que todo mundo viu. Então, vão ficando débeis mentais depois de um certo tempo''.
q''O Glauber está aí!'' (no teatro). Nesse dia foi o auge, porque ele se deitava no chão e olhava para a gente colocando as mãos à frente como se fosse uma câmera fotográfica. Nesse dia, ele entrou no meu camarim e disse: Olha, Paulo, eu quero te convidar para fazer o papel num filme que eu estou projetando, Terra em Transe''.
q''Me interessa o teatro sem adjetivos, o teatro que abrange qualquer caminho, desde que haja uma comunicação com a platéia''.
Trechos de Paulo Autran extraídos do livro ''Odisséia do Teatro Brasileiro'', lançado pela Editora Senac.





