Ele disse
A moda chegou por acaso na minha vida em 1978, pois tinha vontade de criar para o teatro. Minha abordagem feminina é teatralizada, queria que o aspecto utilitário da roupa fosse mais lírico.
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Durante a criação, tudo me inspira: a música, uma obra de arte, um cartaz kitsch nas ruas. Coloco tudo num liquidificador e obtenho a imagem da coleção.
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A moda me levou a não fazer psicanálise.
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A alta-costura é um exercício de extrema liberdade, é uma arte aplicada.
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Pouquíssimas roupas de alta-costura são vendidas. As que não são vão para uma espécie de cemitério, como o dos elefantes. Lá as roupas morrem, os tecidos e os bordados também.
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Acho curioso quando vou a Nova York e vejo nas butiques só as roupas pretas da minha coleção.
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Gosto do meu trabalho quando ele vai além da moda. A moda me interessa muito para manter a maison maleável às necessidades do mundo.
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Dos brasileiros, só conheço Versolato. Mas para os franceses ele não é a imagem do Brasil. Vejo que as brasileiras estão muito influenciadas pelo minimalismo.
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Fiquei impressionado com o dinamismo e a vontade de viver dos brasileiros. Na França, mesmo quando tudo está bem, todo mundo continua enojado.
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Nunca na história da humanidade tivemos tantas possibilidades de estar na moda. Não existe mais aquela vontade de criar uma idéia global como quando Dior criou o New Look e ninguém saía de casa sem a saia no comprimento certo e a cintura marcada. Hoje, busca-se o individual. Se a pessoa é gay ou quer expressar sua opinião contra o racismo, inconscientemente isso faz parte de sua roupa.
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Temos que pensar na moda sempre como um reflexo político do mundo. No auge da guerra do Golfo, lançamos coleção e não vendemos nada para o Oriente Médio. Quando foi assinado o contrato de paz, todas as princesas árabes foram a Paris comprar roupas.
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Não sei como vai ser a moda no terceiro milênio. Pode ser que seja reacionária, pudica...É a sociedade quem dita a moda. São as pessoas, as ruas. Não somos nós estilistas.





