ELBA RAMALHO, versatilidade e mistura de estilos
PUBLICAÇÃO
domingo, 18 de novembro de 2007
Bruna Campoy<br>Agência Estado 
Elba rendeu-se à independência. Qual o Assunto que Mais lhe Interessa?, álbum editado de forma independente pelo selo Ramax, questiona, como o próprio nome já diz, os ouvintes sobre temas pertinentes ao universo histórico da cantora: religião, caos urbano, regionalismo e universalidade. Parte do projeto Raízes e Antenas, também virará um DVD gravado em diversos lugares do País.
Com Qual o Assunto, Elba pretende fazer uma reflexão da sociedade atual. O CD marca também uma nova etapa na carreira de 28 anos da cantora. É um disco de um momento de maturidade. Nele, apresento um olhar mais visionário sobre o futuro. Busco realizar um trabalho que não se desvincule dos ritmos do Nordeste, mas que, ao mesmo tempo, mostra outras influências. Estou em um momento de bastante motivação.
A artista gravou Jorge Ben Jor, Pedro Luís, João Nogueira, Paulo Cesar Pinheiro, Lenine, Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown, Zé Ramalho e Alceu Valença. Ao longo das 16 faixas do CD, Elba apresenta uma variedade rítmica que mescla frevo, boi maranhense, ciranda, xote e samba.
A música de trabalho do disco, Tempos Quase Modernos (Qual o Assunto que Mais lhe Interessa?), conta com a participação especial de Gabriel, O Pensador nos vocais e de Frejat, do Barão Vermelho, nas guitarras. Este é um projeto de encontros. É um disco de parceiros e amigos. Abro a minha intimidade, meus laços de afetos. Tudo começa no sertão, onde estão minhas raízes, e termina no mar, onde encontro a paz.
A cantora, que já esteve envolvida em grandes polêmicas, hoje se mostra muito madura. A primeira delas foi se casar com um rapaz bem mais jovem, o empresário e ex-modelo Gaetano Lopes. Ela explica que o preconceito hoje em dia é menor. Estamos superbem. Temos uma relação madura. O casal possui duas filhas adotivas, Maria Clara e Maria Esperança. Talvez adotemos mais uma.
Das outras polêmicas, Elba se lembra com tristeza de uma reportagem publicada por uma revista em 2001, que afirmava que ela tinha dito, em um congresso de ufologia, em Curitiba, que havia sido chipada por extraterrestres. A afirmação rendeu um processo por danos morais contra a publicação, mas o veredicto, anunciado em 2006, não deu ganho à cantora.
Elba não gosta de falar sobre o fato, mas afirma que tudo foi invenção. Não sei dizer por que a revista fez isso. Adoraria contar uma história dessas para você, mas nada daquilo que disseram aconteceu. Eu gosto de estudar, acredito em disco voador e que existe vida fora da Terra, mas ninguém precisa me seguir. Fiquei traumatizada, não gosto nem de falar sobre isso.
Católica legítima e praticante, como ela mesma diz, hoje, Elba prefere se dedicar a estudar as aparições da Virgem Maria. Tenho como projeto escrever um livro sobre o assunto, mas não sei se vou conclui-lo. As pessoas envolvidas com o tema são todas de difícil acesso, podem não aceitar.


