Elba, 20 anos depois
Agência Folha
A cantora paraibana Elba Ramalho, 48, colocou de tudo um pouco em Solar, seu novo álbum duplo, mas comercializado pela gravadora BMG a preço especial, ou seja, de CD simples que comemora 20 anos de carreira discográfica. No primeiro volume há retrospectiva histórica, ela relê O Meu Amor e Não Sonho Mais, ambas de Chico Buarque, e Ave de Prata, de Zé Ramalho, além de regravar músicas de compositores como Belchior (A Palo Seco), Caetano Veloso (Cajuína) e temas recentes de autores como Alceu Valença, uma parceria entre Djavan e Dominguinhos (Retrato da Vida).
O CD 1 é, ainda, um disco de duetos. Várias das 14 faixas têm convidados são Alceu Valença, Chico Buarque, Zé Ramalho, Lenine, Renata Arruda, Dominguinhos, Geraldo Azevedo e Margareth Menezes. No segundo volume se interpõem retrospectiva (novamente) e muito forró, em composições de Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, João do Vale e Cecéu, entre outros, em vários pot-pourris.
Diferentemente do CD 1, de estúdio, trata-se de um disco ao vivo. Elba defende a condensação de vários possíveis projetos num só: Alguns
gostam mais de forró, outros preferem as canções românticas. Não podia, num show ao vivo, ter tudo isso. E não queria colocar convidados demais. Mas sei que é impossível agradar a todo mundo.
A cantora afirma que o projeto não pretendia ser análogo aos de colegas da geração Nordeste Zé Ramalho, Geraldo Azevedo, Fagner, Belchior pela mesma gravadora, embora todos se insiram no formato de CD duplo com retrospectivas de carreira. A gravadora não interferiu em nada. O projeto é todo meu. Nem me lembrei dos projetos de Zé Ramalho e dos outros.
Defende, também, um CD ao vivo a mais no mercado já saturado de produtos assim: Eu nunca havia feito um disco ao vivo. No meu não há mentira, é como eu sou. Minha vida é na estrada.
Completa: Nunca me acomodei, sempre apostei em artistas novos. Fui a primeira a cantar Lenine. Acabei me tornando uma intérprete diferente. Não saí fazendo um trabalho em cima de ninguém. Meu canto cresceu, estou cantando mais médios e graves, com educação e técnica.
Ela fala da seleção das faixas regravadas: Ao longo de minha carreira, houve canções que fizeram sucesso e algumas que se perderam. Aproveitei a coisa dos 20 anos para recuperá-las. Queria cantar de novo Nó Cego (de Pedro Osmar), Kukukaya.
Essa última é de Cátia de França, conterrânea de Elba que se evidenciou na geração Nordeste e depois se recolheu embora tenha lançado, no ano passado, um disco pouco difundido pelo selo independente CPC-Umes.





