O poder de decisão do mundo pop está começando a mudar de mãos. O verão de 1997 no Hemisfério Norte marca a consagração do novo papel da mulher no mundo pop internacional: Alicia Silverstone, Rosie O‘Donnell, Roseanne Bahr, Goldie Hawn e Madonna são algumas das que preferem acumular funções para desenvolver um trabalho mais ativo na indústria. Assumindo cargos de produção executiva e similares, elas começam a redefinir as regras do mercado do cinema, da TV e da música.
A atriz Alicia Silverstone, a mais nova delas, é um dos casos que mais chama atencão. Depois de ter ficado conhecida com o filme ‘‘As Patricinhas de Beverly Hills’’ e ter sido coroada como a rainha da MTV, a loira de 20 anos assinou um contrato com a Columbia Pictures no valor de US$ 10 milhões, em que ela ficará responsável pela produção executiva de dois filmes.
A negociação deixou os executivos de Hollywood de cabelos em pé, mas depois de alguns meses de conturbada produção, chega às telas norte-americanas em agosto ‘‘Excess Baggage’’, o primeiro filme em que Alicia acumula as funções de atriz e de produtora executiva. O trabalho já vem recebendo boas críticas e deve ganhar atenção maior depois que ela aparecer como a Batgirl no filme ‘‘Batman & Robin’’, de Joel Shumacher, que estréia no dia 20 de junho nos Estados Unidos.
Assinar a produção executiva de um filme ou programa de TV significa ter autonomia para tomar as decisões finais, o que ainda causa calafrios nos executivos de um mercado em que Jodie Foster e Barbra Streisand eram as poucas vozes femininas de destaque no outro lado das câmeras. A pequena presença de mulheres no cinema foi um dos assuntos discutidos pelo júri do Festival Internacional do Filme de Cannes, presidido pela atriz francesa Isabelle Adjani.
A constatação de que a diretora Jane Campion, de ‘‘O Piano’’, foi a única mulher a ganhar a Palma de Ouro nos 50 anos do festival serviu como alavanca para uma nova visão do mercado. Madonna e Goldie Hawn vão atuar juntas na versão cinematográfica do musical ‘‘Chicago’’, que acaba de ganhar seis prêmios Tony por sua nova versão na Broadway.
Paralelamente, elas passam a mostrar mais poder na indústria: enquanto Goldie estréia na direção com um projeto que está desenvolvendo atualmente no Texas, Madonna, na direção da Maverick Films, tem planos variados em andamento, incluindo parcerias com o diretor Wes Craven (de ‘‘Pânico’’) e com a produtora de Mick Jagger, Jagged Productions. Isso tudo, paralelamente à produção de seu novo disco, que deve chegar às lojas de todo o mundo no final do ano.
Rosie, a duronaAlém de Hollywood, a televisão norte-americana passa a ser o ponto de partida para a escalada feminina ao comando da indústria. Rosie O‘Donnell é o exemplo mais quente do momento. Até pouco tempo atrás conhecida pelo papel de Betty Rubell no filme ‘‘Os Flintstones’’, a atriz acaba de comemorar um ano de seu talk show ‘‘The Rosie O‘Donnell Show’’ que, com seu clima de baderna, já ameaça a audiência de Oprah Winfrey, a mais conhecida apresentadora da TV norte-americana.
Além de apresentar um dos programas mais comentados do momento, ela assina a produção executiva, tendo recebido críticas por ser muito durona e ter demitido 20 pessoas da equipe alegando incompetência. O poder de Rosie, que acaba de renovar seu contrato até o ano 2001, numa negociação de US$ 30 milhões por ano (incluindo parte dos custos de produção do programa), pode ser medido também em mercados paralelos.
Ela acaba de conseguir dobrar a audiência da cerimônia de entrega do Tony, na semana passada em Nova York, que vinha caindo há muitos anos. E vem muito mais por aí: Rosie já anunciou que vai se dedicar à direção e à produção executiva de filmes para o cinema.
Quem pretende seguir passos similares é Roseanne Bahr, a comediante que ficou conhecida como a ‘‘rainha do lar’’ durante nove anos em seu seriado ‘‘Roseanne’’, que acaba de encerrar sua última temporada. A atriz assinou há algumas semanas um contrato milionário para apresentar e produzir um talk-show diário que estréia no segundo semestre. Apontada como uma das mulheres mais poderosas da televisão, Roseanne pretende também se tornar uma espécie de Oprah Winfrey, controlando todos os passos de seu novo programa.
No mundo da música o perfil do consumidor também parece estar mudando. Depois de fenômenos isolados como Alanis Morissette e Sheryl Crow, o mercado internacional começa de fato a valorizar a presença e a administração feminina. Prova disso é o festival de música itinerante Lilith Fair, que acontece durante dois meses do verão nos Estados Unidos. A turnê, totalmente organizada por produtoras, vai incluir shows de nomes como Natalie Merchant, Paula Cole, Joan Osbourne e da banda sueca The Cardigans.
O Lilith Fair é apontado como a principal novidade deste ano, em meio a um calendário lotado de festivais como o Lollapalooza e o Smokin‘ Groove.

mockup