O fantasma de Rê Bordosa não larga do pé. Assassinada há mais de uma década por Angeli, seu criador, a impagável pé-de-cana das tiras de quadrinhos está de volta.
De volta, mais ou menos. Rê Bordosa voltou apenas para matar saudades da legião de órfãos com a publicação do volume ‘‘Vida e Obra da Porraloca’’, que as editoras Devir e Jacaranda lançam no próximo sábado na Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro.
A coletânea reúne as tiras clássicas da personagem com flagrantes na banheira, na cama, no divã e, claro, no balcão. Inclui uma entrevista imaginária com a criatura, sob o título ‘‘A Pin-Up dos Anos 80’’, publicada originalmente na revista Chiclete com Banana.
Rê frequentou diariamente a imprensa de 1984 a 1987. Conquistou tantos simpatizantes que acabou protagonizando um quadro num programa da TV Bandeirantes. Ao descrevê-la no texto de apresentação, Angeli lembra que ela trocou seus verdes anos pelo roxo das olheiras.
Notívaga de carteirinha, Rê aparecia invariavelmente enchendo a cara ou divagando numa interminável ressaca. Há quem diga que ela teria retratado o comportamento feminino da época representando a mulher dividida entre a crise dos trinta anos, o eterno desafio de se relacionar com o sexo oposto e a liberdade sexual que a satisfez na década anterior.
O fato é que foi uma das criações mais marcantes de Angeli, autor de outras figuras memoráveis como Bibelô, Bob Cuspe, os Skrotinhos, Rhalah Rikota, Meiaoito, Walter Ego e Wood & Stock. O livro faz parte da coleção Sobras Completas, da Devir, na qual serão publicadas ainda os volumes ‘‘Rê Bordosa, a morte da Porraloca’’ e ‘‘Rê Bordosa, as Memórias da Porraloca’’. Estará à venda a R$ 18,00.

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