Merecidamente, a cantora e compositora Rita Lee, 49 anos, será a grande homenageada na entrega do Prêmio Sharp. A homenagem é um reconhecimento ao conjunto de sua obra. Entre uma entrega e outra dos troféus, alguns artistas irão interpretar músicas de Rita Lee. Entre eles, Fernanda Abreu, Joyce, Raimundos, Zélia Duncan, Gilberto Gil e Caetano Veloso.
Feliz da vida, Rita comemora: ‘‘Todo artista gosta de homenagem’’, afirmou ela, que viveu um 1996 agitado - teve um acidente grave, quebrou o maxilar, e seu sítio foi roubado. ‘‘Levaram tudo, até roupas da época de Mutantes e discos de ouro. Mas foi bom, renasci’’, disse ela que está finalizando seu novo disco - ‘‘Santa Rita de Sampa’’
Mas, no final do ano, Rita Lee teve motivos para comemorar: casou-se oficialmente com ‘‘o homem da sua vida’’, Roberto de Carvalho, 44, com quem vive há 21 anos e tem três filhos. ‘‘Foi bom casar. Nunca tinha casado antes. É um ritual’’, disse.
A seguir, os principais trechos da entrevista com Rita Lee:
Você está recebendo o prêmio pelo conjunto de sua obra, que inclui a fase Mutantes. Isso te incomoda?
Rita Lee - O vínculo não me incomoda e até me dá um certo orgulho. Eu adorava quando estava nos Mutantes. O que me incomoda são as pessoas que querem que os Mutantes voltem. Às vezes tem cobranças de meia dúzia de fanáticos. Bacana, obrigada, também acho Mutantes o máximo, só que já passou, não tenho vontade de voltar a fazer Mutantes, desculpe. O vínculo, o meu jardim da infância, o meu ginásio com Mutantes foi uma delícia. Era uma glória. Mas não tenho vontade de fazer um ‘‘revival’’ como os Novos Baianos fizeram. No nosso caso não dá certo porque os meninos (Arnaldo Baptista e Sérgio Dias) são muito complicados. Eles estão muito fincados no passado. Não é um ‘‘revival’’ leve. Na homenagem aos 50 anos do Gil, propus nos reunirmos para tocar ‘‘Bat Macumba’’, que é simples, com dois acordes. Liguei para eles e falei: ‘‘Vambora fazer uma homenagem para o mestre, para o guru. Ele que botou a gente nessa’’. Arnaldo mandou alguém me ligar dizendo que queria R$ 100 mil para subir ao palco. Fui tentando uma aproximação para limpar carma, mas agora não tenho mais vontade. Com Serginho eu falo o tempo todo por e-mail. É uma pessoa muito boa, delicada, talentosa. Com o Arnaldo o problema é sério. Mas não quero mais.
No seu disco novo existe uma parceria na música ‘‘Ando Jururu’’ com os Raimundos, que você considera uma grupo que traz novidades. Mas uma série de bandas novas estão regravando Mutantes. O que você acha disso?
Rita Lee - Acho que eles têm que experimentar de tudo. Acho que começa com o ídolo, o grupo quer imitar o ídolo, mas depois toma-se o rumo das impressões digitais de cada um. Muita gente fala que o Pato Fu fareja os Mutantes. Deixa eles. Tem que dar um tempo para essa meninada. Acho difícil começar agora sem ter influência. É uma coisa de releitura de final de milênio, de reciclagem. Grupos desaparecem. Adoro quando vejo grupo de rock se dissolver. Adorei que o Sepultura brigou, quebrou o pau, que a mulher entrou no meio. Isso é rock’n’roll. (risos)
Quem eram os seus ídolos?
Rita Lee -Eram mais cinematográficos que musicais. Fred Astaire, Carmem Miranda, pelo visual dela, exagerado. Claro, Elvis Presley na veia, Stones e Beatles na veia, Chuck Berry na veia para chuchu. Sou da época de quem assistiu Jimi Hendrix ao vivo duas vezes. Mas eu não sou saudosista, não. Adoro o som dessa criançada barulhenta que não tem muito o que dizer ainda.
Para quem você daria um prêmio?
Rita Lee - Para Dercy Gonçalves, Lamartine Babo, Erasmão e Roberto. Adoro Djavan, Gal, Bethânia. Acho Marina, Marisa Monte, Cassia Eller, Zélia Duncan ótimas. Gosto muito do timbre da Paulinha Toller. Tem umas mulheres bacanas para chuchu.

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