Ela gostou da TV, mas
seu lugar é no palco
Por 18 meses Lala Schneider foi contratada da TV Globo. Montou um apartamento no Rio, trabalhou nas novelas ‘‘Lua Cheia de Amor’’, ‘‘Felicidade’’ e na minissérie ‘‘Tereza Batista’’. A segunda novela e a minissérie foram gravadas quase simultaneamente, e quando as terminou, a artista quis saber da emissora qual seria seu destino, pois como era funcionária do Teatro Guaíra – dava aulas de teatro na Faculdade de Artes, em Curitiba – solicitara licença sem vencimentos. Estava se esgotando o prazo.
Bem, por questões trabalhistas, teria que ficar pelo menos seis meses sem atuar na emissora. Caso completasse dois anos consecutivos seria automaticamente efetivada, e não havia interesse da empresa nesse sentido. Ela então decidiu voltar ao Paraná. ‘‘Lá não dá para sobreviver somente com o teatro; aqui a gente ganha mais’’, conta.
Foi um período bom. ‘‘Adorei ficar lá, mas vim embora. Não tem problema – a minha curiosidade de trabalhar com a Globo foi satisfeita. Fiquei muito feliz porque queria conhecer aquela engrenagem. Saí satisfeita, feliz da vida.’’
Organização impecável, tudo perfeito segundo Schneider, mas nada disso se compara ao palco. ‘‘O palco é muito superior’’, derrete-se. Ela conta que os repórteres costumam perguntar sobre a primeira peça em que atuou. Até aí, tudo bem. Mas quando perguntam da primeira novela, ficam sem resposta. ‘‘Não me lembro. Novela é uma coisa que passa, desaparece. A gente vira máquina quando está trabalhando numa, e assim que acabam os capítulos é como se a máquina desligasse. Simplesmente apaga.’’
‘‘A vida está no palco’’, decreta. Nos últimos anos vivia num rodamoinho de espetáculos. Saía de ‘‘O Vampiro e a Polaquinha’’, no miniauditório do Teatro Guaíra, despia-se da personagem de Dalton Trevisan para ser uma matrona clássica em ‘‘Eletra’’, ou corria até o Novelas Curitibanas na temporada de ‘‘Estou te Escrevendo de Um País Distante’’.
Realista, Lala Schneider pensa num futuro próximo. Serena, explana o que vai lhe acontecer: ‘‘Graças a Deus sempre tive muito pique. Mas, aos poucos, isto vai diminuindo, é natural. Estou me conscientizando para, um dia, diminuir minhas atividades. Não pretendo parar, mas com a minha idade... Nem todas as peças têm uma senhora. Em abril faço 74 anos.’’(Z.C.L)

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