Ela foi e voltou
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 21 de janeiro de 1998
Érika Pelegrino Londrina 
Enquanto uns saem em busca de projeção e sucesso outros fazem o caminho inverso. Neusa Pinheiro, depois de ser revelação no último festival da Tupi, em 1979, que contou com a presença de Caetano Veloso, Elba Ramalho, Alceu Valença, entre outros, ficou cinco anos sem cantar em função de um sério problema nas cordas vocais. Em 1983 foi embora para São Paulo, mas não perseguindo a fama ou o sucesso. Eu queria aprender a aprender. Encontrar o meu estilo de cantar e compor, afirma.
Em São Paulo, Neusa Pinheiro, montou bandas, fez trilhas sonoras para filmes, entre eles A Dama do Cine Shangai, voltou a trabalhar com Arrigo Barnabé e Itamar Assumpção, com quem já tinha trabalhado em Londrina, fez muitas apresentações, ganhou prêmios. Mas o que marcou a sua carreira foi o contato com Paulo Leminski. Ela conta que descobriu uma musicalidade muito grande nos poemas dele e começou a compor com base nas suas obras. Este trabalho já dura 12 anos e dele nasceu o projeto Peça por Peça que deverá ser transformado em disco. Neusa Pinheiro explica que só começou a pensar em gravar depois de todos estes anos de estrada, porque nunca visou a fama.
O objetivo do meu trabalho não é a fama, diz. Não saí de Londrina para a ilusão do sucesso. Quando o assunto é este, ela é categórica: A gente nunca sabe o que vai encontrar do outro lado, diz. Você pode tanto encontrar o paraíso, quanto se despedaçar, se não tiver uma certa integridade.
A volta para Londrina foi um impulso, que segundo ela ainda está sendo digerido, ao sabor das palavras de Leminski para quem Londrina tem uma magia que não existe em nenhum outro lugar do mundo. Existem fatos inexplicáveis que sempre te obrigam a voltar.


