Mudança de gravadora ''Realmente eu fui da BMG durante muitos anos e da Polygram, anteriormente. Meu relacionamento com a Polygram sempre foi harmônico. Aliás, meu relacionamento com as pessoas com quem trabalho, de uma certa forma, é bastante harmônico porque eu quero que seja assim. Mas o que sinto na Abril Music e na MZA Music é um pique, um energia, uma vontade de que as coisas dêem certo, o que eu não sentia, não vinha sentido na BMG. (...) Talvez isso esteja acontecendo nas grandes multinacionais, as gravadora de grande nome: a relação delas com os artistas ficou fria, imediatista. Talvez as grandes gravadoras estejam trabalhando mais com esse tipo de música imediatista, aquela música que vende e não com aquela que fica para sempre. Isso é triste de constatar''.
Novo disco ''Sai da BMG e entrei em contato com o Mazzola (Marco) e ele me disse que o Maynard (Marcos, diretor da Abril Music) tinha muito interesse em fazer uma coisa comigo. E me fez essa proposta, achei fantástica. Por coincidência eu vinha pensando em fazer um espetáculo com voz e violão, que já havia feito com o Luiz Meira, que é o violonista que gravou comigo esse disco. Fizemos o disco em 15 dias. É muito simples, mas com uma sonoridade sofisticada.''
Voz ''Ainda tenho todos os agudos''
Releituras ''Eu acho que as releituras são legais. As grandes cantoras americanas fizeram isso. É super importante para uma cantora como eu fazer releituras de canções de todas as épocas.''
Nova geração ''Vejo a nova geração da música brasileira com bastante otimismo. Temos muita gente boa fazendo música. Chico César é um compositor maravilhoso que eu não havia gravado antes por falta de oportunidade. E gravei uma música dele que é uma das faixas que mais gosto nesse disco. Acho Zeca Baleiro maravilhoso, assim como Lenine''.
Referências ''O que eu tenho ouvido mais ultimamente é o ''Gal Bossa Tropical''. Eu sou assim: quando lanço um disco, eu ouço muito e depois deixo ele meio de lado. Ainda ouço muito João Gilberto que continua sendo o meu parâmetro, meu grande guru. Ouço as grandes divas, Sara Vaughan, Ella Fitzgerald. Ouço Arnaldo Antunes, Marisa Monte, Caetano Veloso, Gilberto Gil, tanta gente...''
Ovelha Negra É uma maravilha que tem tudo a ver comigo. Levava uma vida sossegada na Bahia, tomando água de coco na rede e de repente entrei nessa loucura toda. Eu liguei para a Rita (Lee).... Todo mundo sabe que fui criada pela minha mãe, não tive nenhum relacionamento com meu pai. Nunca tive nenhuma proximidade com meu pai, que já morreu. Quando eu nasci, minha mãe e ele já haviam separado...Ele tinha outra família, era aquela complicação... Minha mãe foi meu pai, meu irmão, minha amiga, um ponto de referência muito importante e forte. Liguei pra Rita e disse: ''Não vou dizer pai, vai ficar muito falso''. E pedi a ela permissão para dizer ''mãe''. Ela disse: ''Faça o que você quiser. Cê quer saber de uma coisa? Você tem toda a razão: a mãe é o ponto de referência mais forte pra gente. É que lá em casa meu pai mandava muito por isso eu botei ''pai'''.
Fragmentos extraídos do CD-entrevista enviado como material de divulgação. Não foi informado o nome do entrevistador

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