Dentro do contexto de ampliar a reflexão sobre a paz e debater sobre maneiras de colocá-la em prática, esteve em Londrina, na semana retrasada, o difusor dos Jogos Cooperativos no Brasil. O professor de educação física e escritor do livro ''Jogos Cooperativos - Se o importante é competir, o fundamental é cooperar!'', Fábio Otuzi Brotto, veio a convite da organização não governamental Movpaz Movimento pela paz e não-violência. O tema da palestra foi ''Jogos Cooperativos: a Paz-Ciência da Cooperação'' e participaram, aproximadamente, 80 professores das redes municipal, estadual e particular.
O Movpaz também traz, nesta sexta-feira, o escritor José Hermógenes, do Rio de Janeiro, que irá proferir a palestra ''Convite a não-violência: em paz com o mundo'', no auditório do Centro de Ciências Biológicas (CCB) da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
Segundo Brotto, o conceito de ''jogos cooperativos'', trabalhado por ele desde o início da década de 90, tem como objetivo transformar as estruturas de jogos convencionais para que seja possível liberar o potencial criativo e de colaboração de cada um. ''Os jogos são extremamente representativos e demonstram o tipo de posicionamento que apresentamos diante da vida'', comentou. E jogando de maneira cooperativa, ''venSer'' passa a ser mais importante que ''vencer'' e joga-se ''com'' o outro e não ''contra''. ''Procuramos o encontro e não o confronto'', explica o escritor. E, nas condições adequadas, a cooperatividade acaba deixando as pessoas mais flexíveis, abrindo espaço para a livre expressão de habilidades como alegria, entusiasmo, auto-estima, confiança e respeito mútuo, criatividade e simplicidade, defende o escritor.
Como exemplo, Brotto citou o jogo da dança das cadeiras. Convencionalmente, de uma maneira competitiva, joga-se sabendo que o objetivo é que apenas uma pessoa fique na última cadeira. Já nos jogos cooperativos, o desafio comum é conseguir que o maior número de pessoas fique na última cadeira. ''É um desafio em que todos precisam fazer a sua parte para que o objetivo seja alcançado. Temos que contar com o colo do 'outro' e acabamos exercitando o valor da confiança'', destacou Brotto. E o mesmo pode acontecer em jogos de futebol, basquete...jogados de uma maneira cooperativa.
Durante a palestra, os professores participaram de diversas dinâmicas que procuraram estimular a cooperatividade. Nas palavras de Brotto, há a necessidade de uma revisitação pessoal para que o ''jogo interior'' mobilize para o ''jogo exterior''. As atividades podem ser aplicadas diretamente ou adaptadas para as mais diversas situações.
A aceitação do conceito de jogos cooperativos tem sido ampliado e cada vez mais vem sendo aplicado tanto de maneira pedagógica nas escolas quanto na estrutura organizacional de empresas. No ano passado, ele até chegou a ser aplicado na Penitenciária de Segurança Máxima da Praia Grande (São Paulo) e alguns presidiários estão sendo capacitados para se tornarem monitores de cooperação. A idéia também é tema de pós-graduação no Centro Universitário Monte Serrat (Unimonte), em Santos (São Paulo), que já está na quarta turma. Mais informações pelo site www.cooperacao.com.br.

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