Há até quem considere Barbra Streisand uma atriz, cantora e diretora talentosa. Afinal, aos 56 anos, já lançou mais de 50 discos, participou de 16 filmes e tem uma coleção de prêmios que inclui Oscar, Emmy, Tony, um sem número de Globos de Ouro e mais diversos Grammy. Mas Barbra não parece convencida do próprio talento e tem demonstrado estar eternamente disposta a provar que era um patinho feio que virou cisne. A biografia ‘‘Barbra Streisand, Sua Vida’’ (648 páginas/R$ 49), lançada pela Editora Record e escrita por James Spada, tem esse mesmo tom. Pelos olhos dos mais de 200 amigos, parentes e bajuladores em geral de Barbra, que Spada entrevistou entre 92 e 95 para escrever a biografia, a atriz é retratada como uma judia pobre, nariguda e estrábica que conseguiu virar uma estrela do show business.
Spada tem experiência em biografias. Já havia destrinchado as carreiras de Grace Kelly, Bette Davis e Marilyn Monroe. Mas ‘‘Barbra Streisand, Sua Vida’’ parece ter sido escrito a quatro mãos com a própria atriz. Faltou um pouco de imparcialidade do autor ao traçar o perfil da atriz nascida Barbara Joan, mas que adotou Barbra profissionalmente para se destacar. A trajetória de Barbra, desde a infância pobre num gueto judeu em Nova York, já era interessante o suficiente. Ficam extremamente dispensáveis as diversas passagens em que Barbra é chamada de diva, estrela, maravilhosa, belíssima e etc.
Quando era adolescente, Barbra assistiu a uma montagem de ‘‘O Diário de Anne Frank’’ na Broadway. Ficou fascinada pela personagem da judia presa no porão e escondida dos terrores da Segunda Guerra Mundial, mas que tinha uma imaginação extremamente fértil. Barbra se identificou tanto com a personagem, que resolveu tentar virar atriz. Na sua lógica, interpretar significaria ficar bem longe da mãe que a negligenciava em prol da irmã mais nova e do padrasto que a escorraçava psicologicamente.
Por insistir em personagens dramáticos, rejeitando seguir uma trajetória cômica, Barbra demorou a conseguir um lugar como atriz. Apesar de resistir bastante, acabou começando a se projetar como cantora num bar gay em Manhattan. Para tentar se diferenciar, se apresentava com as roupas mais esquisitas em combinações extravagantes. O estilo até que abriu algumas portas para Barbra, mas ainda não era o suficiente para ajudá-la a ter uma situação financeira estável.
Foi com o musical da Broadway ‘‘Funny Girl’’, de 64, ao lado de Sydney Chaplin - filho do intérprete do Carlitos -, que Barbra começou realmente a ganhar dinheiro. O musical acabou sendo adaptado para as telas no filme ‘‘Funny Girl - Garota Genial’’, lançado em 1968 e dirigido por William Wyler, em que Barbra contracenava com Omar Sharif.
A partir do sucesso de ‘‘Garota Genial’’, Barbra mesclou a carreira musical com a cinematográfica. Com o passar dos anos e a chegada do reconhecimento, intercalava filmes comerciais com projetos pessoais com tons autobiográficos. Em ‘‘Yentl’’, de 83, estreou na direção fazendo uma espécie de tributo ao pai, que também era professor como o pai da protagonista feita pela própria Barbra. Já a história de ‘‘O Espelho Tem Duas Faces’’, que dirigiu e protagonizou em 96, retrata sem tirar nem por a trajetória emocional da própria atriz, que tinha um relacionamento conturbado com a mãe.
A biografia traz ainda detalhes sobre os diversos romances de Barbra, como com os atores Elliot Gould, Ryan O’Neal, Robert Redford e Don Johnson. Enfoca também o interesse da atriz por política - Barbra participou da campanha de Bill Clinton à presidência em 92 -, além do combate à AIDS e da luta pela preservação do meio ambiente. Barbra faz questão de mostrar que é uma mulher que venceu pelo esforço próprio e fez por merecer cada prêmio que conquistou. De qualquer forma, falta a ela a empatia gerada pelas verdadeiras divas.

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