Basta avistarmos pela primeira vez o rio Nilo para constatarmos o óbvio: sem esse rio majestoso, que corta o continente africano, o Egito seria um imenso deserto. Além das áreas verdes que circundam suas margens, só resta o Saara (que significa deserto, em árabe, e é ''a'' Saara - sim, no feminino). Mas não pense que o deserto seja menos incrível, pelo contrário. A imensa faixa que se estende por todo Norte da África ostenta paisagens inimagináveis. Surgem o Deserto Branco, o Deserto Negro, e, então, o Deserto do Oeste, que se convencionou chamar de Deserto do Saara.
Às margens do Nilo também surgiram cidades como Assuã, Daraw e Luxor (antiga Tebas e a verdadeira capital do Egito dos Faraós) -, sem contar a secular Alexandria, às margens do Mediterrâneo. Da lendária biblioteca, restam os ''restos mortais'' de um único documento - aliás, o fac-símile deste documento, pois o original está na Europa. Prepare-se para ouvir muito isso. A barba da esfinge? Em Londres. O nariz? Destruído pelo exército de Napoleão. Dois obeliscos do templo de Karnak? Em Paris e Istambul. Objetos dos túmulos? Em Nova York.
O Egito foi sucessivamente pilhado. Muito antes do ocidente ''descobrir'' suas maravilhas, os faraós perceberam o apelo aos ladrões de seus imensos mausoléus - as pirâmides - e passaram a construí-los muito bem escondidos nas encostas das montanhas do Sul do Egito, para onde haviam se mudado por motivos políticos. Os ladrões eram em geral os próprios egípcios e rivais, como líbios e núbios, que já violavam os ricos túmulos séculos antes de os árabes chegarem.
Por milênios, os ocidentais foram condicionados a acreditar que o Egito é aquele retratado nos filmes de Cecil B. de Mille; que Cleópatra tinha o rosto de Elizabeth Taylor; que Tutancâmon foi o maior dos imperadores; que os egípcios ostentam as feições dos faraós e que, por atrair muitos turistas, é o Estado árabe mais afeito às tradições ocidentais. Melhor começar a mudar seus conceitos. Poucos falam inglês, por exemplo. Conhecer o país sem falar árabe e sem um agente de viagem é possível, mas exige disposição e paciência. De toda forma, a conclusão é simples: o Egito é uma dádiva dos deuses - sejam eles faraós, Rá ou Alá.

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