Efêmeras imagens
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 15 de abril de 1999
Elisa Marilia Carneiro 
O momento exato em que a água do mar encontra a areia da praia. Um trabalho de fotografia de mais de dez anos de paciência é o tema da exposição ÁguanAreia do fotógrafo e psicólogo Paulo Koehler, no hall de entrada da Secretaria de Estado da Cultura, de hoje até o dia 7 de maio.
Paulo separou 60 slides e selecionou 20 para expor. São desenhos e formas abstratas, quase um mistério. As pessoas sempre querem identificar as formas mas meu trabalho é muito pessoal, basicamente de luz e reflexão.
Segundo o fotógrafo, seu trabalho aproxima-se de gravuras. Gosto de me isolar no laboratório, fazer experiências, manipular as imagens, criar com fotocópias. Não me satisfaço com a imagem pronta.
Koehler trabalhou como repórter fotográfico e publicitário e deu aulas de Fotografia no curso de Comunicação Social da Universidade Federal do Paraná. Hoje, é professor do departamento de Psicologia da mesma universidade. Me considero, atualmente, um fotógrafo amador. Há alguns anos briguei com a fotografia, cheguei a jurar: essa é minha última foto. Mas não resisti. Como não vivo mais da fotografia, faço o que quero e o que gosto, reconhece.
Parece incrível, mas essa é a primeira exposição dos trabalhos de Paulo Koehler. As pessoas achavam bonito quando eu mostrava meu trabalho e me diziam que mais gente deveria ver essas imagens. Na realidade, não sei porque só estou expondo agora. Mas meu trabalho tem puramente pretensões estéticas. Faço porque acho bonito.
Na ausência de explicações, a sugestão é deixar os olhos pousarem sobre as imagens e sentir o movimento das marés como que grafitando a areia, o sol refletindo luzes na água.
Mas parece que o gosto pelas exposições vai pegar. Paulo anuncia uma nova mostra no Museu da Fotografia, ainda sem data definida, com a técnica goma-bicromatada. Dessa vez vou usar a vegetação como base das fotos, adianta.


