Edvaldo Santana lança novo CD em show no Sesc
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quinta-feira, 13 de janeiro de 2000
Por Jotabê Medeiros 
São Paulo, 13 (AE) - Espécie de Tom Waits de São Miguel Paulista, o músico Edvaldo Santana faz, amanhã (14) e sábado, às 21 horas, na Choperia do Sesc Pompéia, o show de lançamento do seu terceiro disco, "Edvaldo Santana" (selo Tom Brasil Estúdio). Em seu novo trabalho, o cantor de voz enfumaçada assume-se como cronista da paulicéia, terra na qual batalha por um lugar ao sol há mais de 20 anos.
Ele canta acompanhado por Luiz Waack (guitarra), Mintcho Garramone (baixo), Ricardo Garcia (percussão) e Eduardo Batistela (bateria). "Edvaldo Santana" é o disco mais maduro da carreira do cantor de São Miguel, aquele que mais lhe abre possibilidades - sem fazer concessões ao popularesco, coisa que ele sempre soube evitar, mesmo à custa de uma carreira à margem.
Até hoje, Edvaldo - cantor incomum, de voz incrivelmente rouca, por conta de um calo nas cordas vocais - só emplacou um sucesso (se é que se pode chamar assim) nas rádios, a canção "Lobo Solitário", espécie de profissão de fé do músico. Mas, no novo disco, Edvaldo assume sua porção de bluesman de periferia, sem descuidar do trato com a palavra. Mas afirma principalmente sua condição de cronista de subúrbio, com um olhar privilegiado, de dentro da coisa.
Já na abertura, "Samba de Trem" (com um inspirado solo de trombone de Bocatto), se vê essa disposição. "De Trinidad, quando o trem tá pra chegar/Do Itaim dá pra ver que já vem cheio". O disco tem boas parcerias, bem adequadas à condição de cantor popular de Edvaldo. E algumas canções têm grande senso de humor. "Acontece que os índios já haviam descoberto as índias"
diz, em Cabral, Gagarin e Bill Gates (parceria com o poeta e jornalista Ademir Assunção).
Ele ainda musicou um magnífico poema de Paulo Leminski, "Dor Elegante", dos anos 80. "Um homem com uma dor/É muito mais elegante/Caminha assim meio de lado/Como se andando de lado/Andasse mais adiante". Ao dar-lhe contornos musicais, Edvaldo mostra que também é um dos bons compositores paulistanos
ao lado de Itamar Assumpção e Arrigo Barnabé. "Quando fico longe um pouco, parece até que nem saí", canta, em "Paulistanóide". Aerviço - Edvaldo Santana. Amanhã e sábado, às 21 horas. R$ 5,00 e R$ 10,00. Choperia do Sesc Pompéia. Rua Clélia, 93, tel. 3871-7700


