Edvaldo Santana faz um painel da carreira
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sábado, 23 de janeiro de 2010
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
A ginga percussiva está no sangue. Marca registrada das canções e do violão de Edvaldo Santana, ela foi captada ao vivo durante um show realizado no ano passado e chega agora em disco no sexto álbum gravado pelo artista.
''Edvaldo Santana - Ao Vivo'' (independente) traz uma síntese representativa da trajetória do cantor e compositor paulistano reunindo faixas de todos os trabalhos anteriores produzidos em estúdio. ''Queria fazer um painel de minha carreira incluindo as músicas mais pedidas pelo público, como 'Cara Carol', 'Lobo Solitário' e 'Samba do Japa'', assinala ele.
A gravação foi feita durante três dias de shows no Teatro Fecap, em São Paulo. Santana conta que a intenção de gravar suas canções com presença da platéia vem de longa data. A passagem da teoria para a prática, porém, sempre empacou nos desafios apresentados pelo projeto. ''É um negócio que exige mais responsabilidade porque você não pode errar, e a gente sempre erra. Felizmente, nesse caso, deu tudo certo e muito por causa do entrosamento da banda que está há anos comigo'', explica.
Para ele, disco ao vivo ''é uma celebração'': ''É um registro mais quente. Tem a espontaneidade, a energia daquele momento que o estúdio não tem. E tem a ver com essa minha coisa de trovador, de cantor de rua, do cara que nasceu no meio do samba, do choro, do forró, dos ritmos populares''.
Santana foi acompanhado pelos músicos Luiz Waack (guitarra), Reinaldo Chulapa (baixo) e Ricardo Garcia (percussão). O tema ''Luana de Maio'' contou com a participação especial de Dona Inah nos vocais. A faixa-bônus ''O Goleiro'', exceção no repertório, foi gravada posteriormente em estúdio e traz como convidado o sanfoneiro Antonio Bombarda.
''Essa música faz uma homenagem aquele que pode ser um herói ou um vilão de uma partida de futebol'', diz. ''A letra fala de Barbosa (responsabilizado pela derrota da Seleção Brasileira na final da Copa de 1950 no Maracanã), Mão de Onça (arqueiro que levou o milésimo gol de Pelé) e de Wilson (goleiro da várzea que jogou em São Miguel Paulista, onde nasceu Santana)''.
A diversidade rítmica que caracteriza a obra do cantor se faz presente misturando samba, blues, choro, rock e latinidades num convívio harmonioso filtrado pela voz rouca e interpretação particular do artista. ''Privilegio a levada do violão, com toques mais duros. Brinco que sou mais batedor do que violonista'', afirma.
Com planos de percorrer o país para divulgar o disco, ele revela que também prepara um novo álbum de inéditas. ''Estou compondo e recebendo material de parceiros'', anuncia. ''Por enquanto, não há nada definido mas uma ideia é chamar amigos de várias regiões para gravar sons representativos de cada lugar. Quero gravar alguma coisa da Serra da Capivara, no Piauí, por exemplo''.
Elogiado pela crítica, Santana já foi chamado de ''Tom Waits brasileiro'' pelo timbre de voz e crueza em temas e arranjos. Foi incluído também na linhagem dos cantores-compositores ''malditos'' (rótulo que ele sempre rejeitou) ao lado de nomes como Tom Zé, Jards Macalé, Walter Franco, Sérgio Sampaio, Jorge Mautner, Luiz Melodia e Itamar Assumpção.
Com três décadas de carreira, ele já lançou os álbuns ''Lobo Solitário'' (1993), ''Tá Assustado?'' (1995), ''Edvaldo Santana'' (2000), ''Amor de Periferia'' (2004) e ''Reserva de Alegria'' (2006).


