Em uma mistura de cordel nordestino, bolero, samba e blues, o novo álbum do artista é considerado pela crítica o melhor já gravado por ele
Em uma mistura de cordel nordestino, bolero, samba e blues, o novo álbum do artista é considerado pela crítica o melhor já gravado por ele | Foto: Edson Kumasaka/Divulgação



O cantor e compositor Edvaldo Santana bebeu na fonte do dixieland - última mistura jazzística entre a música africana e a europeia - e adicionou em seu caldeirão sonoro o cordel nordestino, o bolero, o samba e o blues. A fusão de elementos tão distintos está presente no álbum 'Só vou chegar mais tarde', lançado em 2016 e considerado pela crítica o melhor já gravado pelo artista em sua trajetória profissional que ultrapassa quatro décadas. O elogiado repertório do disco será apresentado aos londrinenses em show que acontece na quarta-feira (20), às 21h30, no Bar Valentino.

Santana afirma que em 'Só vou chegar mais tarde' procurou incorporar instrumentos de sopro, criando arranjos onde os graves da tuba duelam com o baixo elétrico, abrindo espaços para que o sax tenor, o trombone e o trompete formem um conceito de naipe com sonoridade abertas e alegres. "A produção é minha e de Luiz Waack, parceiro de longa data. Temos as participações especiais das cantoras Rita Beneditto em 'Ando Livre' e Alzira E em 'Que é que eu vim fazer aqui'. Como bônus na última faixa chamada 'Canção', fecha o disco uma tradução de Augusto de Campos para um poema do provençal Guillaume de Poitiers, que tive o prazer de musicar. A xilogravura da capa e o projeto gráfico do álbum são do artista plástico, Dennis Vecchione", destaca.

Com 44 anos de uma carreira marcada pela mistura de diversos gêneros musicais, Santana afirma ter dificuldade de definir o estilo de suas músicas. "A obra que desenvolvo não é muito catalogável, sou um cara nascido e criado na periferia de São Paulo, absorvendo a fragmentação da metrópole, trazendo na alma o ancestral da cultura nordestina", diz.

Apesar do ecletismo, o artista afirma ter como base para suas composições a riqueza da música negra. "O caldeirão de sonoridades da diversa e rica música brasileira, da música negra que se espalhou pelo mundo, são os alimentos nutritivos que sustentam a obra que desenvolvo. Vou sempre estar atento ao movimento do planeta, observando e procurando transformar minhas observações, meus sentimentos, minhas ideias em arte", salienta.

Com 19 álbuns na bagagem, incluindo nove trabalhos solos, sete coletâneas e três discos gravados com a banda matéria-prima, Santana diz ter orgulho das parcerias que desenvolveu no meio musical. "Em cada momento da vida artística, tive a oportunidade de vivenciar e dialogar com artistas que aparentemente eram de universos distantes, que me doaram conhecimento, a poesia concreta, por exemplo, os vinis de jazz, blues e rock que comecei a ouvir com mais atenção. A arte é dinâmica, cada vez que você encontra algo que desperta interesse você aprende, foi assim quando encontrei o Tom Zé, o Paulo Leminski, o Clara Crocodilo do Arrigo Barnabé, isso transforma o nosso jeito de tocar, de escrever, de cantar. Você tem de estar em constante mutação para que a criação se sinta absorvida, aprimorei as misturas com mais determinação, deixei de ver obstáculos entre o samba e o blues, entre o xote e reggae, entre o cordel e o haicai", enfatiza.

Santana ressalta que muitas das parcerias foram estabelecidas com artistas londrinenses. "Minha ligação com Londrina vem desde a primeira turnê, que fiz com o Matéria Prima no começo do anos 80, no movimento estudantil, onde conheci muita gente boa, como o poeta e parceiro Ademir Assunção, o grande guitarrista Celmo Reis e o genial baterista Eduardo Batistela. Os encontros continuam acontecendo, neste ano acabei de participar do disco que está sendo lançado pelo amigo Bernardo Pellegrini, 'Outros Planos', cantando uma nossa parceria com o baterista Gigante Brasil: 'Território Minado', criada nos tempos de Vila Madalena em São Paulo e que permanecia inédita. Arte e amizade caminham juntas, esse duo serve de farol para minha trajetória pessoal e artística", reforça.

No retorno à cidade, além de apresentar músicas de seu mais recente álbum Santana revisitará canções emblemáticas de sua carreira. "Também cantarei canções dos álbuns anteriores, que são representativas na minha trajetória, como 'Lobo Solitário', 'Samba de Tem', 'Caximbo', 'Quem é que não quer ser feliz' e 'Quando Deus quer até o diabo ajuda'. Esse show tem uma pegada mais acústica e intimista, apresentarei um espetáculo de voz e violão, no qual conto e canto as histórias que compõem a trilha sonora de um artista sem rabo preso, que transita com parceiros de universos diversos como Arnaldo Antunes, Osnofa, Akira Yamasaki, Haroldo de Campos, entre outros", adianta.

Enquanto se prepara para matar saudades do público londrinense o artista divide seu tempo entre vários projetos profissionais. "Estamos lançando nas plataformas digitais a gravação ao vivo no Sesc Pompéia do show de lançamento do álbum 'Só Vou Chegar mais Tarde'. Também estamos lançando um videoclipe da música 'Predicado'. No começo de agosto estamos preparando o lançamento do vídeo clipe da música 'Arte Depura'. Temos ainda em fase de pré-produção o vídeo clipe da música 'Gelo no Joelho' e um documentário sobre a obra e o bairro em que nasci, com direção de Robson Timóteo e Anderson Choks. Tenho um livro inacabado que estou querendo publicar, fala de São Miguel e da minha vivência na periferia, um projeto que vivo adiando, mas que uma hora tem que sair, para desenrolar", revela.

Imagem ilustrativa da imagem Edvaldo Santana em versão intimista



Serviço:
Show Edvaldo Santana
Quando – Quarta-feira (20), às 21h30
Onde – Bar Valentino (R. Pref. Faria Lima, 486)
Quanto – R$ 15

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