Beth Néspoli
Agência Estado
No início da década de 50, o ensaísta J. Guinsburg traduziu a peça ‘‘Crimes e Crimes’’ do dramaturgo sueco August Strindberg (1849-1912) a pedido do empresário Abe Klinger, que planejava dirigir uma montagem do texto. Klinger iniciou os ensaios com um elenco integrado por Ítalo Rossi e Moná Delacy, entre outros atores, mas o processo foi interrompido e a encenação nunca se concretizou.
Quase meio século depois, a peça ‘‘Crimes e Crimes’’, ainda inédita nos palcos brasileiros, chega às livrarias publicada pela Editora da Universidade de São Paulo (Edusp).
A tradução de Guinsburg para o texto de Strindberg foi escolhida para ser o segundo lançamento da série ‘‘Em Cena’’, coordenada por Plínio Martins Filho e iniciada com ‘‘Ivanov’’, de Anton Chekhov, traduzida diretamente do original russo por Arlete Cavalieri e Eduardo Tolentino de Araújo. Na edição de ‘‘Crimes e Crimes’’ (120 págs., R$ 17,00), já disponível nas livrarias, o leitor encontrará, além da peça, um prefácio e um curto, porém ótimo, estudo sobre as principais características da obra do autor, ambos assinados pelo tradutor. Do ponto de vista crítico, Guinsburg ressalta como um dos focos de interesse de ‘‘Crimes e Crimes’’, escrita em 1898, o fato de ser uma peça limítrofe entre duas etapas distintas na criação dramática de Strindberg.
A primeira etapa é marcada por peças realistas, como ‘‘O Pai’’ (1887) e ‘‘Senhorita Júlia’’ (1888), e a segunda pelas chamadas peças de sonho, como ‘‘A Dança da Morte’’ (1901) e ‘‘O Sonho’’ (1902), já no estilo simbolista ou pré-expressionista, a partir do agravamento da doença mental do autor, em 1895. Sendo uma das primeiras peças dessa segunda fase, ‘‘Crimes e Crimes’’ apresenta também elementos da fase anterior, destacados por Guinsburg em sua análise crítica. No fim do volume, o tradutor acrescentou ainda uma relação das obras dramáticas e uma curta cronologia biográfica de Strindberg.

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