Aos quinze para as nove? O adequado não seria "Às quinze para as nove"? não! Deve-se usar o artigo masculino por se tratar de um substantivo masculino, que está oculto na frase: minutos: "Aos quinze minutos para as nove horas se iniciará a palestra.
Para constatar isso é só observar o que ocorre no futebol: O time de futebol masculino Real Madri marcou o gol de empate contra o do Atlético de Madri aos quarenta e oito minutos do segundo tempo. Deve-se usar "aos" porque se trata de "minutos". O mesmo deve ocorrer na indicação de horas.

À MEDIDA QUE O TEMPO PASSA, ENVELHECEMOS = NA MEDIDA EM QUE O TEMPO PASSA, ENVELHECEMOS?
Apesar de as duas frases serem muito parecidas, semanticamente, segundo a norma culta da Língua Portuguesa são completamente diferentes.
- À medida que é uma locução conjuntiva proporcional, que tem o mesmo valor que à proporção que. Os gramáticos puristas preferem esta àquela, ou seja, os puristas preferem o uso de à proporção que em vez de à medida que: "À medida que a distância entre eles diminuía, seu coração acelerava"; "À proporção que a distância entre eles diminuía, seu coração acelerava".
- Na medida em que é uma locução conjuntiva causal, que tem o mesmo valor que porque, já que, uma vez que, visto que: "Na medida em que a distância entre eles diminuía, seu coração acelerava"; "Seu coração acelerava porque a distância entre eles diminuía".
As frases apresentadas no início da coluna não são, portanto, equivalentes:
À medida que o tempo passa, envelhecemos = À proporção que o tempo passa, envelhecemos.
Na medida em que o tempo passa, envelhecemos = Envelhecemos porque o tempo passa.

"QUE NÃO SEJA IMORTAL POSTO QUE É CHAMA"
Vinícius de Moraes escreveu os seguintes versos: "De tudo, ao meu amor serei atento / Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto / Que mesmo em face do maior encanto / Dele se encante mais meu pensamento. / Quero vivê-lo em cada vão momento / E em seu louvor hei de espalhar meu canto / E rir meu riso e derramar meu pranto / Ao seu pesar ou seu contentamento. / E assim, quando mais tarde me procure / Quem sabe a morte, angústia de quem vive / Quem sabe a solidão, fim de quem ama / Eu possa me dizer do meu amor que tive: / Que não seja imortal, posto que é chama / Mas que seja infinito enquanto dure."

Determinando o significado dos versos de Vinícius, chegamos à conclusão de que ele pretendia estabelecer uma indicação de causa: o amor não é imortal porque é chama (fogo), ou seja, já que o amor é chama, morre.
O que ocorre, porém, é que a locução posto que não é causal, e sim concessiva, ou seja, inicia uma oração subordinada que exprime oposição ao que é dito na oração principal, não sendo capaz, porém, de anular ou impedir o fato mencionado. As conjunções e as locuções conjuntivas concessivas são as seguintes: embora, conquanto, não obstante, apesar de que, se bem que, mesmo que, ainda que, em que pese, por mais que, posto que.
Vinícius se utilizou do que chamamos de licença poética, que é a liberdade que toma o poeta, algumas vezes, de transgredir as normas da poética ou da gramática. Caso ele não se utilizasse dessa prerrogativa e quisesse escrever dentro das normas cultas da Língua Portuguesa, teria de usar uma conjunção (ou uma locução conjuntiva) causal, que são as seguintes: porque, porquanto, já que, visto que, se, como (só no início de frase), uma vez que. Teria, então, de fazer isto, dentre outras possibilidades:
Eu possa me dizer do amor que tive / Que não seja imortal visto que é chama / Mas que seja infinito enquanto dure.

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