A pequenez do carro
Alguns carros se diferenciam dos demais pela sua pequenez. Não seria pequenês a maneira adequada de se escrever tal palavra? Ou pequinês? Não, caro leitor, a maneira adequada de se escrever um substantivo abstrato indicador de qualidade é com a utilização do sufixo –ez ou –eza. Vejamos a explicação:
Há alguns sufixos homônimos na Língua Portuguesa: –ês e –ez e –esa e –eza. Os que são escritos com S, –ês e –esa, servem para a indicação de nomes próprios, como Inês e Teresa, de nacionalidades, como português e inglesa, e de títulos, como burguês, camponesa, marquês e duquesa. Sei que há muitas mulheres com o nome Tereza, com Z, mas deveria ser escrito com S.
Os que são escritos com Z, –ez e –eza, servem para a formação de substantivos abstratos indicadores de qualidade, como beleza, a qualidade de belo, acidez, a qualidade de ácido, limpeza, a qualidade de limpo, pureza, a qualidade de puro, e limpidez, a qualidade de límpido.
A frase apresentada contém um substantivo abstrato indicador da qualidade de pequeno, por isso se escreve com Z: pequenez. Ocorre, porém, que há uma palavra parecida com essa: a que indica nacionalidade: Quem nasce em Pequim, é pequinês, ou ainda a raça de cães, oriundos da China.
Pequenez é qualidade de pequeno; pequinês é adjetivo pátrio de quem nasce em Pequim; e pequenês é erro de ortografia, inadequação ao padrão culto do nosso idioma.

"Demos graças a Deus!" Como se pronuncia?
"Demos" é forma verbal de "dar"; pode representar o tempo denominado de presente do subjuntivo, caracterizado pela frase "Espero que...", que indica desejo de ação futura, ou o pretérito perfeito do indicativo, ação que ocorreu em determinado momento no passado. A diferença entre eles está na pronúncia – são homônimas homógrafas heterófonas, ou seja, palavras escritas da mesma maneira, mas pronunciadas de maneira diferente. A forma representativa do passado se pronuncia com o E aberto: "Ontem demos graças a Deus!". A do presente do subjuntivo, com o E fechado: "Demos, agora, graças a Deus!". Com a Reforma Ortográfica, esta forma verbal passou a ter acento opcional, ou seja, o verbo "dar", na primeira pessoa do plural do presente do subjuntivo, pode ser acentuado, facultativamente: "dêmos" ou "demos".

"A forma do sapato". E agora, como se pronuncia?"
Outro exemplo de homônimos homógrafos heterófonos: "forma", com o "O" aberto, que pode ser substantivo (A forma -ó-) ou o verbo "formar", na terceira pessoa do singular do presente do indicativo (Ele forma -ó-); e "forma", com o "O" fechado, substantivo (A forma -ô-). Ocorre, porém, que, em alguns casos, não há clareza quanto a estar escrita a palavra com "O" aberto ou fechado. A frase apresentada é um exemplo. Com a Reforma Ortográfica, mais um acento passou a ser adequado, opcionalmente: "forma", com o "O" fechado, pode ser acentuado facultativamente: "A forma do sapato" ou "A fôrma do sapato".
"Conversamos".

Quando aconteceu isso?
Mais um caso de homônimos: a primeira pessoa do plural do presente do indicativo dos verbos terminados em –AR: Todos os dias nós conversamos, falamos, caminhamos, exploramos, etc.; e a primeira pessoa do plural do pretérito perfeito do indicativo: Ontem nós conversamos, falamos, caminhamos, exploramos, etc. Em Portugal, essas últimas formas verbais têm o som do "A" anterior ao "M" aberto, por isso também podem ser acentuados opcionalmente: Ontem nós conversamos, falamos, caminhamos, exploramos, etc. ou Ontem nós conversámos, falámos, caminhámos, explorámos, etc.

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