Vários amigos me telefonaram ou me enviaram mensagens eletrônicas para me perguntar sobre um outdoor que propaga a avaliação de um político londrinense no Brasil, julgando a frase "no mínimo estranha", como disse um deles. A frase diz que o político é o mais bem avaliado. O adequado não seria "melhor avaliado"?
A gramática padrão diz que, quando o vocábulo "bem" participar de expressão comparativa de superioridade com particípio de verbo, não se pode usar a forma sintética "melhor", e sim a analítica "mais bem". O mesmo ocorre com "mal": "mais mal" no lugar de "pior". São adequadas, portanto, as seguintes frases: "O meu time está mais bem preparado que os outros"; "Matéria mais bem explicada"; "Teoria mais bem apresentada"; "Professor mais mal preparado". O mesmo ocorre quando houver a expressão superlativa de superioridade "o mais" ou "a mais" ou de inferioridade "o menos" ou "a menos": "A explicação dele foi a mais bem dada".
Particípio é uma forma nominal de verbo muitas vezes com características de adjetivo. Com os verbos "ser" e "estar", forma locução verbal indicadora de sujeito paciente, ou seja, sujeito que sofre a ação verbal, como em "O político foi avaliado pela comissão"; "A cidade foi invadida pela horda"; "O criminoso está cercado pelos policiais". Com os verbos "ter" e "haver", forma locução indicadora de tempo verbal composto, como em "A comissão tem avaliado os políticos"; "Eles haviam assinado o documento"; "Até amanhã haverei terminado o trabalho".
Alguns verbos, denominados de abundantes, possuem dois particípios: o regular, terminado em "ado ou ido", que forma locução com "ter ou haver", e o irregular, com outra terminação, que não "ado, ido", que forma locução com "ser ou estar", mesmo havendo "ter ou haver" junto. Veja alguns exemplos: "Entregar": "Eles têm entregado as encomendas em dia"; "As encomendas são entregues em dia"; "As encomendas têm sido entregues em dia". "Eleger": "Temos elegido muitos corruptos"; "Muitos corruptos são eleitos"; "Muitos corruptos têm sido eleitos". "Pegar": "A polícia havia pegado vários bandidos"; "Vários bandidos foram pegos"; "Vários bandidos haviam sido pegos". "Imprimir": "A gráfica tinha imprimido as cópias erradas"; "As cópias erradas foram impressas"; "As cópias erradas tinham sido impressas".
Dos verbos abundantes, os advérbios "bem" e "mal" se ligam ao particípio irregular; as comparações de superioridade "mais bem" e "mais mal" também: "As cópias foram mais bem impressas"; "minhas sugestões forma mais mal aceitas".

Mais bom que mau. Mais grande do que pequeno
Algo semelhante ocorre com os adjetivos "bom", "mau", "grande" e "pequeno": Quando participarem de expressões comparativas entre dois elementos, devem-se usar as palavras "melhor, pior, maior e menor": "Esse político é melhor que os outros"; "As decisões tomadas foram piores que as anteriores"; "Os rendimentos deste fundo são maiores do que os do outro"; "Esses corruptos são piores que bandidos". O mesmo ocorre com a forma superlativa: "Eles são os melhores políticos, mas os piores cidadãos".
Se, porém, participarem de expressões comparativas entre duas qualidades, devem-se usar as formas analíticas "mais bom, mais mau, mais grande e mais pequeno": "Ele está preso por ser mais mau do que bom"; "Os políticos corruptos são mais maus que bons, mesmo que pratiquem o bem"; "Quem tem 1,70m é mais pequeno que grande ou mais grande que pequeno?".
A frase do outdoor, mesmo que apresente estranhamento por não ser comum no dia a dia, está, portanto, adequada ao padrão culto da língua.

www.gramaticaonline.com.br
[email protected]

mockup