EDUCAR-SE
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 16 de setembro de 2013
Dilson Catarino 
É muito comum os estudantes do Ensino Médio julgarem que as preposições "a" e "para" têm os mesmos usos já que em alguns casos isso é verdadeiro, como em "comprar algo a alguém" ou "comprar algo para alguém". Isso, porém, não ocorre com muitos verbos; a maioria, aliás, que exige a preposição "a" não admite a preposição "para".
É o que ocorre, por exemplo, com os verbos "pagar", "perdoar" e "agradecer": esses três verbos devem ser usados sem preposição quando o complemento for algo: "pagar uma dívida"; "pagar um carro"; "perdoar os pecados"; "perdoar uma falha"; "agradecer o convite"; "agradecer um presente". E devem ser usados com a preposição "a" quando o complemento for uma pessoa, física ou jurídica: "pagar ao advogado"; "pagar ao colégio"; "perdoar ao amigo"; "perdoar ao pecador"; "agradecer aos amigos"; "agradecer a Deus". No Brasil, porém, é muito comum a ausência da preposição mesmo em autores renomados como Machado de Assis.
Outros verbos têm o mesmo comportamento: "faltar": "Falta a algumas pessoas discernimento"; "custar", no sentido de "ser difícil": "Custou a mim acreditar nele". Eles não admitem o uso da preposição "para".
Observe, também, o uso do pronome "mim" nessa última frase: "Custou a mim acreditar nele". Aparentemente está inadequado, mas não está. Não se deve usar o pronome "eu" por não ser o sujeito do verbo "acreditar", mas sim o complemento do verbo "custar". Que é que custou? "Acreditar nele". Esse é o sujeito do verbo "custar"; uma oração que funciona como sujeito denominada "oração subordinada substantiva subjetiva". "Acreditar nele custou a quem?": "A mim", e não "a eu"! "Mim" é o complemento denominado de objeto indireto já que o verbo "custar" é transitivo indireto.
Nenhum desses verbos admite a preposição "para". Todos os verbos com algumas exceções que exigem a preposição "a" podem ter como complemento, no lugar do substantivo, os pronomes lhe e lhes. É o que ocorre com todos os verbos apresentados: pagar-lhe, perdoar-lhe, agradecer-lhe; faltar-lhe, custar-lhe. Alguns, como "assistir" no sentido de "ver" e "aspirar" e "visar" no sentido de "almejar, objetivar", mesmo exigindo a preposição "a", não admitem o uso de lhe, lhes. É inadequado, portanto, dizer "Ao filme, assisti-lhe"; o certo é "Ao filme, assisti a ele". Da mesma forma, deve-se dizer "À vaga, aspiro a ela" e "A um futuro brilhante, viso a ele", sem o uso de "lhe".
Há alguns verbos indicadores de "destino", que, mesmo não exigindo complemento, devem ser usados com a preposição "a" diante do lugar. São eles: "ir, vir, voltar, chegar, cair, comparecer, dirigir-se...": "Vou ao cinema todas as semanas"; "Venha a Londrina, visitar-nos"; "Voltarei ao clube"; "Cheguei a casa"; "Caí ao chão"; "Compareça à diretoria"; "Dirija-se ao meu consultório". A frase "Cheguei a casa", com "a" sem o acento indicador de crase, é o que preceitua a gramática padrão; no Brasil, no entanto, só se usa, inadequadamente, "Cheguei em casa".
Todos esses verbos exigem a preposição "a" na indicação de destino. Há, porém, um uso adequado para a preposição "para" na indicação de destino: quando houver a indicação de "mudança definitiva". "Irei a São Paulo", então, significa que para lá irei, mas voltarei. "Irei para São Paulo" significa que me mudarei para São Paulo. Claro está, portanto, que a frase "Vou para casa", que usamos diariamente, é inadequada ao padrão culto da língua.
www.gramaticaonline.com.br
[email protected]


