O uso dos pronomes relativos traz muitas dificuldades aos jovens estudantes lusófonos. Por isso mesmo os vestibulares sempre estão a cobrar-lhos, tanto o próprio uso quanto a concordância do verbo que o tem como sujeito. Vejamos, então, algo acerca desses pronomes:
Pronome relativo é aquele que substitui um substantivo evitando sua repetição e a formação de frases curtas: que substitui coisas, pessoas e lugares; quem pessoas ou personificações; qual (o qual, a qual, os quais, as quais) pode ser usado no lugar de que e de quem. Na estrutura sintática, o pronome relativo é colocado imediatamente após o substantivo substituído por ele.
Observe as seguintes frases: "A autora recebeu o prêmio "Livro do ano". Convidaram a autora para ministrar a palestra principal do evento". Há a repetição do substantivo "autora" e a formação de duas frases curtas; "autora" é pessoa, portanto pode-se usar "que", "quem" e "qual" ("a qual" já que "autora" é feminino singular). O pronome deve ser colocado imediatamente depois do substantivo, ficando assim a frase: "A autora que convidaram para ministrar a principal palestra do evento recebeu o prêmio ‘Livro do ano’" ou "Convidaram a autora que recebeu o prêmio "Livro do ano" para ministrar a palestra principal do evento".
Onde se usar o pronome relativo "que", pode-se usar o pronome "qual": "A autora a qual convidaram para ministrar a principal palestra do evento recebeu o prêmio ‘Livro do ano’" ou "Convidaram a autora a qual recebeu o prêmio "Livro do ano" para ministrar a palestra principal do evento".
Como "autora" é pessoa, pode-se também usar o pronome "quem", porém há duas ressalvas: não se usa "quem" como sujeito quando houver substantivo antes dele; quando "quem" for objeto direto (termo paciente de um verbo ativo) será antecedido da preposição "a".
Nas frases apresentadas ocorre, portanto, o seguinte: Em "A autora que convidaram para ministrar a principal palestra do evento recebeu o prêmio ‘Livro do ano’", "autora" é o termo paciente do verbo "convidar", verbo ativo, pois "alguém convidou a autora", logo deve-se usar "a quem": "A autora a quem convidaram para ministrar a principal palestra do evento recebeu o prêmio ‘Livro do ano’". Como o pronome relativo substitui o substantivo, ele passa a ser o elemento paciente do verbo "convidar".
Em "Convidaram a autora que recebeu o prêmio "Livro do ano" para ministrar a palestra principal do evento", "autora" é o sujeito do verbo "receber", pois "a autora recebeu o prêmio", portanto não se pode usar o pronome "quem" nessa frase. Como o pronome relativo substitui o substantivo, ele passa a ser o sujeito do verbo "receber".
Pode-se, no entanto, usar "quem" como sujeito quando ele não tiver termo antecedente. Por exemplo: "Quem assinou o documento foi o gerente". Essa frase está em ordem direta. Pode-se, porém, construí-la na ordem inversa: "Foi o gerente quem assinou o documento". Observe que só aparentemente o substantivo "gerente" antecede o pronome relativo, pois a frase não está na ordem direta e adequada.
Não importa quem tenha assinado o documento; o verbo ficará no singular sempre: "fui eu quem assinou o documento"; "Fomos nós quem assinou o documento"; "Foram eles quem assinou o documento". Sempre no singular, porque há a ordem inversa. A direta seria: "Quem assinou o documento fui eu"; "Quem assinou o documento fomos nós"; "Quem assinou o documento foram eles".
Quando o pronome relativo "que" for o sujeito, o verbo concordará com o elemento antecedente, então haverá frases assim: "Fui eu que assinei o documento"; "Fomos nós que assinamos o documento"; "Foram eles que assinaram o documento". Essas frases não admitem a ordem direta.

www.gramaticaonline.com.br
[email protected]

mockup