Essa é uma frase rara de ouvir, pois nem o adjetivo "bastante" nem o substantivo "conviva" são muito utilizados pela população brasileira, além de o verbo "haver" o ser equivocadamente, mesmo em grupos de pessoas com bom nível de informação. Analisemo-la, então.
O significado do substantivo "conviva" é "pessoa que toma parte, como convidada, em banquete, almoço, jantar, etc." Também pode ser chamada de "comensal", apesar de este substantivo também significar "cada um daqueles que comem juntos" ou "indivíduo que tem o hábito de comer em casa alheia".
O vocábulo "bastante" pode ser adjetivo, pronome indefinido ou advérbio.
Quando for advérbio, terá o significado de "em quantidade suficiente" e modificará verbo, adjetivo ou outro advérbio. Por exemplo: "Descansei bastante nesse fim de semana" = "Descansei o suficiente nesse fim de semana" = "Descansei o bastante nesse fim de semana".
Quando for pronome indefinido, terá o significado de "muito, numeroso, copioso", e modificará substantivo, concordando com ele (singular ou plural). Por exemplo: "Ele tem bastantes posses" = "Ele tem muitas posses"; "Havia bastantes cadeiras para os convivas" = "Havia muitas cadeiras para os convivas".
Quando, finalmente for adjetivo, terá o significado de "que basta, que satisfaz, suficiente", e também modificará substantivo, concordando com ele da mesma forma. A diferença entre o pronome indefinido e o adjetivo é que aquele se localiza antes do substantivo, e este, depois dele. Por exemplo: "Há provas bastantes para incriminá-lo" = "Há provas suficientes, que bastam, para incriminá-lo"; "Tem dinheiro bastante para a viagem" = "Tem dinheiro suficiente, que basta, para a viagem".
Se as duas frases apresentadas tivessem o vocábulo "bastante" antes do substantivo, o significado seria outro: "Há bastantes provas para incriminá-lo" significaria que há muitas provas; e "Tem bastante dinheiro para a viagem", que tem muito dinheiro.
A frase apresentada como título da coluna de hoje significa, portanto, que havia cadeiras suficientes, que bastavam, para acomodar os convivas. Se "bastante" estivesse antes do substantivo, significaria que havia muitas cadeiras para acomodar os convivas.
E o verbo "haver"? Que ele tem de importante? A importância reside no fato de ele não poder ser substituído pelo verbo "ter", como é muito frequente no Brasil: "Tinha cadeiras bastantes..." é estrutura inadequada ao padrão culto da língua. Ou se usa o verbo "haver" ou o verbo "existir": "Existiam cadeiras bastantes..." = "Havia cadeiras bastantes...". Se for usado o verbo "existir", este concordará com o sujeito, que é o elemento que existe; por isso "Existiam cadeiras bastantes". Se for usado o verbo "haver", este deverá ficar na terceira pessoa do singular, mesmo que aquilo que exista esteja no plural; por isso "Havia cadeiras bastantes".
Na primeira frase deste texto escrevi "Essa é uma frase rara de ouvir". Certamente muitas pessoas diriam "Essa é uma frase rara de se ouvir" ou "Essa é uma frase rara de ser ouvida". Ambas as frases são inadequadas ao padrão culto da língua uma vez que, quando adjetivo se seguir da preposição "de" e de "verbo no infinitivo" (verbo terminado em "-ar, -er, -ir"), este tem valor passivo e não se flexiona, ou seja, indica que o seu sujeito sofre a ação verbal e fica no singular. É inadequado, portanto, usar outra estrutura passiva – que é o pronome "se" e a locução verbal "ser + verbo terminado em "-ado" ou "-ido" – e também é inadequado usar o infinitivo flexionado. Veja outros exemplos: "Essa teoria é fácil de entender", e não "fácil de se entender" nem "fácil de ser entendida"; "Foram dias difíceis de suportar", e não "difíceis de se suportarem" nem "difíceis de serem suportados".

www.gramaticaonline.com.br
[email protected]

mockup